quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

"a natureza é a igreja de satã"

a cidade é a expressão da luta do homem contra a natureza: as casas, a luz elétrica, o traçado planejado das ruas, são a vitória do homem contra a natureza externa, ou seja, a floresta, os animais, a escuridão, a falta de alimentos, a morte precoce ou súbita. as casas, a luz elétrica, o traçado planejado das ruas, também são a vitória do homem sobre sua natureza interna, pois além do mais, é isso que dá ao homem "civilização e polidez", como diz carlos stevenson. as ruas e estradas bem pavimentadas permitem que a força de trabalho se desloque de forma mais eficiente, portanto menos dispendiosa - o mesmo quanto às mercadorias que produz. o homem é o que consome. as mercadorias - livros, dvd, alimento, drogas (cerveja, etc) - chegam em abundância e preço acessível às estantes do supermercado; a luz elétrica permite o prolongamento das atividades após o pôr do sol. é graças às casas, a luz elétrica, ao traçado planejado das ruas que o homem cria uma nova sensibilidade que afasta de seus olhos, narizes e mãos aquilo que nele há de animal, de escuridão, de floresta.
a nova sensibilidade ensina ao homem que é normal/natural chocar-se e sentir náuseas e medo diante de certas coisas. sem esgoto e água encanada, para além das dificuldades com a manutenção da saúde, o homem muda sua relação consigo mesmo: a forma como o homem moderno pensa a si mesmo depende 1- do fato de que a privada de seu banheiro leve embora, imediatamente e sem nenhum contato, todos os excretas que seu corpo produz, 2-do fato de existir papel higiênico, 3-e do hálito fresco garantido pelo hábito cotidiano de escovar os dentes usando para isso a liberdade de escolher o creme dental que mais lhe agradar; uma menina de classe média, 19 anos, universitária, não pode deixar de se sentir a pior pessoa do mundo, caso não possa tomar pelo menos dois banhos por dia.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

violência, miley cyrus, violência















violência, miley cyrus,violência, miley cyrusviolência, miley cyrusviolência, miley cyrusviolência, miley cyrusviolência, miley cyrusviolência, miley cyrusviolência, miley cyrusviolência, miley cyrusviolência, miley cyrusviolência, miley cyrusviolência, miley cyrus

domingo, 27 de dezembro de 2009

o anticristo


"a natureza é a igreja de satã"

sábado, 26 de dezembro de 2009

retrospectiva 2009

sinto que a essa altura tudo já foi re-escrito e não resta mais nada. penso em parar com este blog, até aqui tão divertido. afinal, para que eu preciso de 3 blogs?! nunca me canso de falar sozinho, é isso. a tentativa de separar formas específicas de escrita e temas para cada blog é pura pretensão - frustrada, por sinal.
mas pensando melhor, acho que continuo, porque aqui posso dizer besteiras sem o peso de dividi-las com outros. em outros blogs é preciso dar espaço para que os outros desenvolvam livremente sua capacidade para dizer bobagens também. eu já nasci com o dom...

permanece o tema de guy debord: "no mundo realmente invertido, a verdade é um momento do falso." ou algo assim. não importa, porque eu não sei mesmo o que significa, apenas acho bonito. do mesmo modo com a minha montagem tema, pretenciosamente - pretensão é o que não falta - intitulada a "sociedade do espetáculo". no entanto, não analiso mais a indústria cultural, nem os mendigos do terminal central, nem a relação entre uma coisa e outra. quer dizer, não analiso diretamente, porque, de qualquer modo, não importa sobre o que eu escreva, estas coisas estão irremediavelmente presentes na minha vida, condicionando de forma inescapável minha percepção de mundo. portanto, faço parte disso. não posso mais, com a crítica feita em um bloguinho, cujo objetivo é ocupar meu tempo livre, acreditar que eu esteja fora da sociedade capitalista-industrial-massificada-alienada. sou cúmplice da fome do bêbado sujo que passa frio de baixo do viaduto. devido a minha situação de classe não posso prescindir da repressão do estado aos marginais, para que eu possa, junto com todos os filhos da classe média, chegar em segurança ao conforto do lar. preciso da segurança e do conforto do lar para me tornar cidadão produtivo e consumidor. clichês..

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

fundamentos do vazio da existência

1. os miseráveis totais dividem suas funções sociais pelo critério sexual. percebi que só há mendigos homens, as mulheres no mesmo grau de miséria viram prostitutas. os mendigos se juntam em muitos debaixo do viaduto, caídos pelo chão. estar bêbado constantemente é condição para suportar a existência. para comprar álcool, eventualmente apelam à compaixão de algum cidadão passando apressado e enojado por entre eles. por ser vagabundo, bêbado e sujo, o mendigo enoja e ofende o cidadão. o mendigo, então, não é o bandido; em geral não tem condições nem para roubar. é o excluído completo. o mendigo não é também o moleque de rua, que intimida a classe média, apenas pelo jeito mal encarado, pelo linguajar inadequado. a presença do moleque de rua estraga as compras de natal de uma hipotética família recém formada. um casal feliz, a caminho do shopping, é constrangido a explicar ao filhinho, qual triste acaso produziu aquele bandido mirim que pede moedas no semáforo.
2. o motorista do ônibus diz ao cobrador:
- quando eu era criança, minha mãe dizia, "estuda, menino...pra não virar motorista". mas eu ia na escola só pra tomar sopa..
3. émile zola mostrou a irracionalidade da exploração capitalista (o germinal): os trabalhadores da mina de carvão sofrem pelo trabalho difícil e pela miséria que sua baixa remuneração confirma.
porém, o patrão, dono da mina, reflete sobre a miséria de sua vida burguesa, cercada de privações, sentimentos reprimidos, a traição da esposa: o burguês, então, inveja a vida sofrida de seus mineiros, que apesar de tudo, tem suas diversões sexuais após o trabalho.
4. louis althusser explica que a continuidade das relações de produção capitalistas se deve a inserção da ideologia burguesa em todos os níveis da vida concreta. isso explica porque os trabalhadores vivem miseravelmente e não se revoltam. porque essa ideologia garante que permaneçam na mesma condição: uma condição que não permite enxergar claramente a natureza da exploração em que vivem. a ideologia burguesa reveste a exploração, com expressões jurídicas, religiosas, políticas, etc. com isso o pobre acha que é pobre porque não fez por merecer, e acredita que a riqueza do rico justifica-se pelo argumento oposto.
porém, althusser acha também que a ideologia burguesa não é uma forma com a qual a burguesia conscientemente engana os trabalhadores. a ideologia burguesa é uma forma de entender a realidade, cujos pressupostos são tidos como verdadeiros apenas pelo fato de ser a ideologia dominante. a organização do mundo a partir de uma concepção ilusória, ideológica, portanto, faz com que o próprio burguês viva uma vida sem sentido, apenas reproduzindo as condições de exploração, pela manutenção dos privilégios de sua classe e manutenção da precariedade da sobrevivência da classe trabalhadora.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

crepúsculo

1- o "look do vampiro" só é possível para mulheres brancas: "pele clara com olhos e boca marcados". 2- exitiria o "look do vampiro" para homens? o filme crepúsculo reinventou a imagem do vampiro e esvaziou seu sentido. na verdade, o fato de haver personagens vampiros no fime é meramente acessório.
3- esses filmes produzidos em série para adolescentes são sempre repetições de temas, expostos com repetições na forma. ainda assim repetem o sucesso de venda. parece que o adolescente filho da classe média precisa confirmar continuamente algumas coisas, alguns valores inventados até acreditar que isso faz parte de sua identidade própria.
4- é o tema do amor impossível, porque ele é vampiro e ela é a caça de melhor gosto possível.
5- ela é uma menina independente, que não liga para as bobagens do vestido do baile da escola, como as amigas. ela fala pouco e não gosta de dançar. ela é diferente - isso é central: esse filme é para os iguais que se julgam diferentes. ela é isso, mas, na verdade, ela é a menina que encontrou no vampiro a personificação do mito do amor romântico: o garotão que salvou-lhe a vida, que pode levá-la para voar entre as árvores e ainda brilha no sol. ela é muito independente, têm muita personalidade e ao mesmo tempo, pode ostentar um namorado que faz coisas que os namorados das outras meninas não fazem, embora tenha problemas de ereção, já que é vampiro, mas um vampiro que é para casar, pois ele é rico, filho de um médico bem sucedido, mora numa casa bem decorada e retirada.
6- também há os vampiros maus, que são os que se alimentam de sangue humano e vivem como vagabundos na floresta. um negro, um marginal, uma puta.
7- o filme não é sobre vampiros. é sobre a personalidade da adolescente moderna, que deve ter atitudes independentes paradoxalmente unidas a valores tradicionais. depois é a confirmação dos atributos do rico e dos atributos do vagabundo, associados respectivamente a bom e mau.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

fetiche da mercadoria


a imagem fala por si só. o acesso ao que há de mais moderno, a ideia de praticidade, de disponibilidade de uma infinidade de possibilidades em um aparelho perfeito para a vida moderna.
na vida moderna a obsessão pela praticidade está em todo lugar. um aparelho leve, pequeno e fácil de usar, que tira fotos, reproduz vídeos e música, etc - também serve para telefonar e passar mensagens para outras pessoas.
design sofisticado, como o de algo vindo do futuro, ou do espaço. um pequeno objeto retangular cheio de recursos tecnológicos, cromado e despojado, bonito e discreto.

1- o nokia n97 não é bonito nem moderno em si. foi feito, na verdade, de acordo com uma construção estética do moderno pelo cinema (!). um executivo parado no trânsito de são paulo representa sua distinção, status e bom gosto falando e gesticulando sozinho no carro importado - vidro fechado, ar condicionado - com seu nokia n97 encostado ao ouvido.
2- a crítica à obsessão pela praticidade é justificada, não é simples conservadorismo anti-tecnológico. a funcionalidade, tudo rápido, tudo ao mesmo tempo, tudo no mesmo lugar, fácil de levar de um lugar ao outro, tudo isso facilita em muito a vida, de fato. mas que vida? é a vida em que é preciso fazer todas as coisas sem perder tempo, todas as coisas de forma funcional. e claro, estar preparado para receber ligações no caso de alguma emergência do trabalho, ou da necessidade de comprar algo especial para o jantar, ou ligar para a polícia no caso de um assalto - se não roubarem o n97 - ou ligar para a emergência no caso de um enfarte, ou de um incêndio.
portanto, o n97 é totalmente necessário às necessidades da vida moderna.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

produção e reprodução





a vida dos "artistas" é diariamente transformada em espetáculo. independente dos reality shows é possível fazer espetáculo sem um programa de televisão com contratos formais. quando pessoas mais ou menos conhecidas (dani bananinha) estão em público é possível aproveitar a oportunidade de produzir imagens, e a partir dela produzir uma história para ser vendida. as notícias do portal terra têm anúncios do itaú e do bradesco, de uma empresa de imóveis e do celular lg.
na notícia sobre luana piovani, "a atriz protagonizou cenas quentes com o namorado". vida cotidiana convertida em espetáculo. claro, além do itaú e do bradesco - empresas com responsabilidade social - a própria luana piovani (ou qualquer uma das outras) é agente da espetacularização da própria vida.
os leitores fazem comentários sobre as notícias, embora seja exatamente a mesma notícia nos quatro casos. não são poucos comentários, mas são os mesmos. comentários de quem vê gostosas de bikini na praia. gostosas famosas, no caso. e não na praia, mas na tela de um computador, embora a foto seja na praia; em seu computador de trabalho, um trabalhador medíocre de escritório, em horário de almoço tem, assim, a oportunidade de renovar os temas de seus comentários vazios com os colegas, além de interminável disponibilidade de entretenimento repetido.

sábado, 14 de novembro de 2009

pela democracia/liberdade

filme importante. importante porque cria, ou pelo menos confirma valores, sem intenção explícita de fazê-lo.
no fim do filme, brendan fraser derrota jet li. jet li é o imperador chinês, ou algo assim, um típico déspota oriental. brendan fraser é um americano comum. portanto, fraser apanha de jet li, que domina a arte da luta. contudo, fraser, é o americano comum, o que significa que luta por seu ideal, e pelo esforço e pela vontade, supera os poderes sobre-naturais e a arte profana e maligna de luta do soberano oriental, mesmo estando em aparente desvantagem.
assim que jet li é derrotado, os soldados chineses, que são múmias (o que não tem nenhuma importância), logo percebem, "o imperador está morto!!", comemoram o fim de seu senhor autoritário, viram areia e descansam em paz.
brendan fraser, o americano comum, libertou da opressão todo um povo, que a princípio não lhe dizia respeito, pela derrubada de jet li, o cruel - é o cinema americano reproduzindo, banalizando, naturalizando e criando narrativas justificativas análogas à ação dos eua, no que diz respeito à sua tradição de intervenções em questões de países não-democráticos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

investir no futuro

propagandas de banco são mentirosas até o absurdo. dão-se ao trabalho de produzir imagens relacionadas a tipos específicos de situações e pessoas: todos os tipos de pessoas são clientes em potencial. o banco é um mal "necessário". a propaganda, então, tenta criar o necessário não necessariamente mal; o necessário como necessidade para a felicidade. são imagens distantes do banco da vida real. na vida real a experiência de usar o serviço bancário tem marcas pouco agradáveis: filas, guardas armados, câmeras de segurança, porta giratória, atendentes e gerentes cujas vidas não são mais que extensão do caixa eletrônico.
(clique na imagem para ver melhor. intervenções em vermelho são minhas). as imagens associam o banco ao sonho, ao investimento seguro no futuro. o sonho do carro novo, a velhice saudável. ter uma conta que dê as melhores vantagens significa um meio de cuidar bem do futuro do próprio filho. no primeiro panfleto, um garoto sorridente de cabelo penteadinho...ao fundo, carro, família, torre eiffel (!), um avião, é o futuro ideal...dar um futuro feliz para o filho é garantir que, além de reproduzir a mediocridade do pai, tenha a possibilidade de viajar pelo mundo - como se isso pudesse ser garantido pelo serviço bancário em questão...
no panfleto de baixo, "seguro de vida": um almofadinha/jovem de classe média bem sucedido -possível futuro do garoto do panfleto de cima - com três filhos bebês e um sorriso idiota no rosto. inexplicável e absolutamente irreal. "se a responsabilidade é grande, a alegria é três vezes maior." lembremos, o panfleto é sobre seguro de vida: trata-se de alguém que colocou três novos seres humanos no mundo, mas é responsável o suficiente para não deixá-los desamparados no caso de sua morte prematura e violenta. daí o sorriso, de alguém seguro de cumprir com suas responsabilidades de pai.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

hannah montana

hannan montana é uma menina como qualquer outra. exceto pelo fato de que esse não é seu verdadeiro nome: ela se chama miley cyrus na vida real.
miley cyrus é uma menina como outra qualquer: 16 anos, tem uma banda de rock, muitos amigos, uma família feliz. de vez enquando tira fotos sexuais que por ventura caem na net
tem um programa de televisão feito pela disney. é uma série infanto/juvenil. a série trata da vida comum cotidiana de uma menina como qualquer outra, miley cyrus. situações engraçadas na escola, namorinhos, amiguinhos e festinhas. a vida dos adolescentes/pré-adolescentes/pós-infantis não é fácil, portanto. miley cyrus representa e dá voz aos adolescentes/pré-adolescentes/pós-infantis, filhos da classe média do mundo civilizado. isso significa que ela tem o poder de escapar a essa terível condição do cotidiano desta classe tornando-se uma super-pop star: hannah montana. como todos sabem, os super-pop stars superaram os problemas da vida comum. hannah montana, então, representa o sonho da superação possível para cada triste filhinho de papai desse mundo.
os mais desatentos podem achar que a única diferença entre hannah montana e miley cyrus é esta peruca loira usada pela primeira. na verdade a diferença está no espírito.
recapitulando: 1-ela chama-se miley cyrus na vida real: é uma menina comum e uma pop star; 2- a personagem dela na série também se chama miley cyrus na vida de menina comum, e também é pop star, mas, na série, quando assume esse papel, tem o nome de hannah montana - indistinção total entre realidade concreta e representação: reprodução da vida em programa de tv.
agora o mais importante: descobri que miley cyrus tem uma irmã mais nova, chamada noah cyrus. direto ao assunto: segundo o respeitável portal de notícias terra, noah cyrus tem 9 anos e usava botas de stripper quando esteve em um evento beneficente para crianças com aids. (clique na imagem a baixo para ficar mais esperto! intervenções em vermelho são minhas)
última coisa, o google, definidor absoluto do que é e do que não é importante, mostra que escrevendo "hannah", aparecem 4 referências a hanna montana, antes que apareça uma a hannah arendt! (clique na imagem a baixo para saber melhor o que é mais importante.)

domingo, 1 de novembro de 2009

colina silenciosa

filme ruim, sem surpresas, sem nada de mais. adaptação de vídeo game: caminho natural mais do que previsto dentro da indústria cultural. a capa é muito boa, admito.
o que interessa é o final, quanto a um aspecto particular - não em relação ao filme como um todo: o filme como um todo dispensa qualquer sentido.
na cena final os habitantes de silent hill estão para sacrificar uma criança e mais alguém na fogueira. a representação remete diretamente à inquisição. esse tipo de apropriação de imagens recorrentes com sentido deslocado é responsável por uma infinidade de equívocos.
no filme, a cena da fogueira acontece ordenada por uma líder, que é como uma sacerdotisa, ou algo assim. ela comanda a massa de ignorantes que pede a morte e se enraivece de acordo com suas palavras. 1- a sacerdotisa tem um olhar sádico, de desejo de ver a menina queimada na fogueira; 2- a massa não pensa, segue o líder.
a pessoa que vê inocentemente o filme, ou seja, todas as pessoas - esse filme não foi feito para ver criticamente - indiretamente confirma preconceitos sobre o tribunal do santo oficio, o que é gravíssimo. o catolicismo não é movido pelo sadismo. a inquisição funcionou de acordo com fundamentos racionais de seu tempo. 1-sou anti-católico; 2- tenho uma desconfiança: existe uma longa tradição do cinema americano-protestante que contribui para criar um estigma de ocultismo-sádico-irracional-pervertido sobre as práticas do catolicismo. se fosse só isso seria mais fácil vencê-lo.
além disso, sobre a questão das massas, confirma o preconceito sobre o líder manipulador e a população indistinta que não escolhe por si só.
ou seja, o filme não tem nada a ver com estes assuntos e passa longe de explicitar essas coisas: justamente por isso é que forma concepção. aparecem como detalhe, como acessório, como ponto que não é preciso justificar: como algo que é natural e do conhecimento de todos.
opiniões, valores, concepções, formam-se de forma fragmentada, a partir de associações mais ou menos arbitrárias entre elementos extraídos de fontes aleatórias, regidas por forças externas de constrangimento e necessidade.

registros do real
















sábado, 24 de outubro de 2009

questão de gênero .2

hoje em dia ninguém sabe fazer nada.

isso é uma matéria da página do portal terra (as intervenções em vermelho são minhas. clique na imagem para aprender melhor). dica: copiar o cabelo das personagens da novela. isso deverá garantir a felicidade da mulher brasileira.
atenção maior aos links à esquerda: dicas para homens e mulheres. dicas sobre todas as coisas - alimentação, estética, rosto e corpo, viver bem, tudo para eles/elas. a novela chama-se viver a vida. as personagens são os modelos de viver a vida. viver a vida é apresentar-se diante do mundo com a imagem adequada: cabelo adequado. veja as fotinhas das três moças. é mais que cabelo: é um tipo de olhar, de sorriso, de beleza, de atitude.
ilusão de variedade+ilusão de escolha. loira, morena, negra, asiática, jovem, coroa. todas podem ser bonitas: há um corte ideal para cada tipo. "quem nunca desejou copiar um corte de cabelo [...]", "qual seu preferido?" eis o engano tornado realidade. vaidade feminina: a insatisfação consigo mesma é produzida pela distância insuprimível entre a representação da novela e a prática possível da vida concreta.
viver a vida, faz-me rir. eu ainda fiz uma seta vermelha apontando para a propaganda da nextel. é isso o que manda. o anunciante paga, um babaca escreve uma bobagem. não, é mais do que isso: o anunciante paga e um babaca/profissional qualificado das letras jornalísticas produz o gosto do consumidor. o público preocupado com o cabelo ideal - telespespectador de novela - é o público continuamente ansioso por satisfazer pseudonecessidades sucessivas e ininterruptas: comprar celular. fui longe demais?
essa matéria é do yahoo. a qualidade permanece. spray contra ejaculação precoce. hoje em dia ninguém sabe fazer nada. aumento do período de penetração: 30 segundos a 4 minutos - excelente! lado esquerdo, indicado com a seta vermelha, "como falar de sexo?" hoje em dia ninguém sabe fazer nada.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

do onanismo moderno

1- hoje em dia a internet banda larga mudou em muito a percepção dos jovens de classe média sobre as coisas...o onanismo intensivo sobre uma mesma revista, conseguida com certos donos de banca capazes de fazer vista grossa a consumidores menores de idade, já é coisa do passado. os sites pornográficos instituem o onanismo extensivo - em oposição ao intensivo: não se tem a oportunidade de criar relações afetivas com fotos e vídeos específicos. não é necessário, há updates diários. quantidade, qualidade, variedade e facilidade de acesso: fim do softcore-sem-vergonha-insuficiente-repetido.

2- a prática generalizada do uso de celulares é mais que comodidade: é extensão da jornada de trabalho, em tempo integral. um homem de meia idade, funcionário bem sucedido de uma empresa nacionalmente reconhecida, volta para casa ao fim do expediente. a qualquer momento, entretanto, ele pode ser contatado em seu celular - como também por e-mail, cuja função é a mesma - para resolver algum eventual problema. ele não reclama: (acha que) ganha bem e deve retribuir com trabalho. concepção invertida do mundo.

domingo, 11 de outubro de 2009

inspirado em walter benjamin. dedicado ao vazio

um homem de meia idade, funcionário bem sucedido de uma empresa nacionalmente reconhecida. fora do trabalho, sábado/domingo, ele senta em frente de sua t.v. lcd que fez questão de comprar à prestação. "só assim se pode aproveitar tecnologia h.d.". ótima imagem, som de última geração - por isso o volume excessivamente alto, para não perder os detalhes, " para poder ouvir os graves". assistir o quê? ouvir o quê? não interessa: a técnica é um atrativo em si mesma.
a escravidão do trabalho não permite que se cultive gosto algum. não há tempo livre para buscar interesses mais profundos. nossas ecolhas, portanto, restringem-se ao que é mais imediatamente oferecido pelas imagens da propaganda/cinema/novela, como se não houvesse outras opções além da variedade ilusória do mesmo, repetida incessantemente na propaganda/cinema/novela.
o prazer do homem médio limita-se a meia hora semanal de ilusão - ao ato de fazer algum uso da porcaria tecnológica adquirida a custo de tanto esforço. a alegria de ter, não é uma simples perversão que encobre o ser: é o processo complexo de identificar a felicidade a algo artificialmente existente na mercadoria.
é a representação da mercadoria, anterior a seu consumo, que garante este engano. na propaganda a t.v. lcd é assistida por uma família branca e feliz, por um casal de belos jovens sorridentes; ela está em uma sala de estar limpa, bem arrumada e bem iluminada; de design leve e discreto, mas refinado e aconchegante; mobília moderna.
o descompasso entre a representação da vida idealizada e a miséria concreta da vida cotidiana se expressa na permanência da infelicidade, apesar da aquisição do objeto que une um mundo e outro.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

des-graça

uma tarde assistindo esse filme, que em português tem o belo título "tentação". em seguida, sem nenhuma relação inicial, leitura de freud, o mal estar na civilização. conclusão: não há limites para a desgraça humana. já falei sobre isso: contradição+constrangimento=condição humana. acho que vou transformar este blog em um diário virtual, como o de bilhões de adolescentes que escrevem em péssimo português, as mesmas baboseiras. aí eu posso acreditar que o fresno é realmente a melhor banda do brasil... de todos os tempos, porque não?, ou do mundo e em todos os tempos, por que não? e parar com a mania de achar que há alguma coisa muito estranha acontecendo...forças muito estranhas levando o mundo para um estado deprimente. não que o mundo esteja em degradação, não que já tenha sido melhor: mas apenas ruim de um jeito diferente. ruim de forma instituída e sistematizada.
caso você seja privilegiado a ponto de não saber o que é o fresno, compartilho com você esse desprazer enorme:
exato, são esses belos tipos. é uma banda que ganhou recentemente alguns prêmios apesar de tudo. o pior que ao passar diante das várias escolas da cidade, vejo que seres humanos com idades entre 10 e 18 anos (do sexo masculino), tem isso como modelo de visual. espero que só visual - o que já é demais - e não musical. daí minha implicância com esta juventude de hoje.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

domingo, 27 de setembro de 2009

paradigma da ausência


propaganda do mec sobre o ofício de professor. diz que os países europeus tiveram capacidade para se desenvolver muito econômica e socialmente. aí pergunta: "qual o profissional responsável pelo desenvolvimento?", "o professor" respondem os europeus (e uma japonesa).
na verdade essa resposta é mentira. o profissional que garantiu o desenvolvimento desses países foi o general, ou algum outro militar, algum corsário, comerciantes de escravos, etc. a "capacidade" européia de se desenvolver não vem da educação, vem da acumulação primitiva, vulgo imperialismo-colonial-neocolonial-eurocentrico-racionalista-iluminista-greco-romano-cristão-industrial-capitalista-do-mal. então o que está errado é a pergunta, que deveria ser: "qual o profissional responsável pelo desenvolvimento nos países pobres não imperialistas do mundo contemporâneo?" aí sim: o professor...

questão de gênero .1


isso é uma notícia da página do terra. clique para ler e ficar informado sobre esse fato importante. as intervenções em vermelho (ideológico) são minhas.
primeiro: pouco me importa.
segundo: se você estiver vendo sua novela, e notar a presença de alguma atriz mirim bonitinha e inocente, aos seus 7 ou 8 anos, saiba que assim que ela se tornar legalmente maior de idade será possível vê-la sem roupa (!) e é assim que as coisas são.
passado o choque, é preciso dizer que os empresários, diretores de novela, agentes da playboy, os pais das atrizes-mirins-bonitinhas e outros, só estão esperando pelo momento em que seja possível agregar valor, ou melhor, aumentar o valor de uso dessas criaturinhas inocentes, inserindo-as na indústria sexual, ainda que não necessariamente com prostituição, o que é indecente, como bem sabem os empresários, diretores de novela, agentes da playboy, os pais das atrizes-mirins-bonitinhas e outros, todos trabalhadores honestos, católicos não praticantes - porque são ao mesmo tempo modernos e respeitadores da tradição - , eleitores do psdb, homens de família, etc. então é isso: agora é só ir ao google imagens e procurar "cecília dassi", pois já tem 19 anos, "teve que perder a vergonha".

sábado, 26 de setembro de 2009

placas, etc

não pode animais, não pode veículos motorizados, não pode veículos desmotorizados, não pode mergulhar de cabeça no recife de corais, não pode cortar flores, não pode dar sorvete para o macaquinho, não pode pescar, não pode meter fogo.

apenas três tipos de usuários de banheiro! ao que parece, a classe das mulheres-portadoras-de-necessidades-especiais permanece excluída do direito a banheiros devidamente separados.

sem comentários. só um: os militares são o setor mais simpático de nossa sociedade.

preço feito no inferno, com a ajuda do diabo, certamente.

sábado, 19 de setembro de 2009

viagem às terras do rio de janeiro .2

este blog é dedicado aos mendigos e marginais que circulam pelas intermediações do terminal central de campinas. isso melhora em muito a vida deles. mas a questão é: no rio de janeiro o buraco é mais embaixo. a orla de copacabana é montada para reproduzir a ilusão da cidade maravilhosa: é o espaço do turista, o espaço em que a felicidade no ato do consumo deve ser plenamente satisfeita. a satisfação é produzida pela possibilidade de reproduzir na atividade turística algum modelo de felicidade incorporado via propaganda/cinema/novela/etc. os modelos de felicidade são formulados pela indústria, que associa, na representação veiculada pela propaganda/cinema/novela/etc, seu produto a certas condições ideais. então, beber uma cerveja na praia é mais que bom, é ideal, quando ao redor há a paisagem perfeita de prédios e espaço público bem cuidados, quiosques modernos, higiênicos - com opção de pagamento em cartão de crádito. tudo isso emoldurado pelo corcovado, pelo cristo, pelo pão de açúcar, gostosas de bikini. um fim de semana no rio de janeiro é a oportunidade de realizar algo já repetidamente visto antes pela t.v.
nada pode estragar a ilusão da cidade maravilhosa. portanto, na orla de copacabana, só muito raramente surge algum garoto-negro-menor-de-idade, vestido com roupas velhas e sujas pedindo algum trocado. a realidade personificada nos marginais frustra, pelo menos por alguns minutos, a produção da felicidade que se quer vender ao turista.
a cidade maravilhosa restringe-se a estrita faixa do calçadão: andando duas quadras no sentido oposto ao mar a quantidade de mendigos e garotos-negros-menores-de-idade pedindo trocado, aumenta gravemente.
as intervenções em vermelho são minhas.
ps: vermelho ideológico.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

viagem às terras do rio de janeiro

outro dia eu estive no rio de janeiro. fui a ipanema e mandei a cidade maravilhosa para aquele lugar:
era o 7 de setembro, portanto, ocasião de um belo desfile marítimo de navios militares da marinha pelo mar. não mais que isso. para mim também não faltou ocasião (veja ao fundo o navio de guerra):
por nada. simples espírito de insubordinação despropositada. é uma pena, mas gerou, apesar de tudo, belas fotos. o mesmo sucedeu em minha visita ao pão de açúcar:
penso que foi muito estranho ver o pão de açúcar pela primeira vez. na verdade também o corcovado, o cristo e tudo mais. são imagens muito familiares, como se as conhecesse desde sempre. e de fato conheço, pela televisão. reprodução técnica do mundo, etc.