quinta-feira, 30 de julho de 2009

condição humana: contradição+constrangimento

sempre que o filho da classe média for assaltado, sequestrado, ou morto, ele deverá saber que tais acidentes decorrem das contradições que definem a condição humana. as contradições estão acentuadas no modo de produção capitalista. quando um morador de rua me pede uma moeda, o "não tenho, amigo", a fim de evitar que me tomem o que neguei, substitui o "não!", "não, vai trabalhar!".
-tem uma moeda?
-tenho, mas é minha.
o filho da classe média com pretensões de militante anti-capitalista, está constrangido a defender o que é seu, a temer o assalto, a chamar a polícia caso ocorra; a desejar a instituição da pena de morte quando a violência atinge seus familiares, ou quando certas atrocidades chamam a atenção dos jornalistas. o discurso encontra seu limite assim que interesses socias são atingidos. interesses sociais e necessidades sociais: coisas de que não posso prescindir, não para viver, mas socialmente, de acordo com a classe a que pertenço.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

o constrangimento

elementos que nos forçam, ou nos inclinam a certas atitudes apesar da liberdade de escolha. constrangimento. o nascimento é o primeiro deles. a morte é o último. o sexo está no meio, e é também o início e o fim. a liberdade de escolha é ilusão: liberdade relativa não é liberdade. liberdade é uma abstração para a qual não há correspondente no mundo concreto.
nascer na miséria, por exemplo, tem implicações profundas. a classe média despreza o vagabundo, com seu discurso "quem tem vontade supera a pobreza!"; a mídia tem o prazer de divulgar a excessão do pobre que enriquece, como exemplo, como se fosse oportunidade geral e universalmente acessível. a classe trabalhadora incorpora o discurso: "eu trabalhei e agora olha só onde eu cheguei!" chegou aonde? porque comprou uma moto, porque tem celular novo, acha que subiu na vida; continua explorado pela classe dominante. a classe trabalhadora se reveste com o individualismo burguês a cada geração.
a vontade supera a pobreza? dentro de certos limites apenas. a vontade surge do modo particular como cada um concebe o mundo. as concepções de mundo se formam pela experiência no mundo: a criança que consegue facilmente dos pais os brinquedos que as propagandas divulgam nos intervalos do horário da programação infantil da tv, forma concepção diferente de mundo (exagero?). além disso essa criança toma café da manhã, toma banho, veste roupas limpas todos os dias e frequenta escola particucular, ou pelo menos não vai para o semáforo esmolar...
ser rico ou pobre, branco ou negro, mulher ou homem (ou homossexual), brasileiro ou sueco; desde o princípio condições inescapáveis, constrangimentos, impõem campos limitados de escolha aos sujeitos.

terça-feira, 28 de julho de 2009

a contradição

a condição humana é dada pela certeza da morte. a certeza da morte, no entanto, está encoberta pelas circunstâncias gerais socialmente produzidas ao longo do tempo.
eu desejo a vida na vadiagem; o tempo passado no bar com amigos é possível pelo trabalho e pela manutenção da sociedade burguesa: 1- trabalhadores que produzem cerveja em todos seus estágios, engarrafagem, distribuição, etc. isso implica estrutura urbana para escoamento de mercadoria, caminhões para transporte de cerveja, amendoim, etc. 2- atuação do poder público na garantia de iluminação pública, segurança. segurança: sem a repressão aos excluídos seria possível o happy hour do universitário? é necessário o meu trabalho (ou de meus pais) para poder consumir: aquecimento da econômia, etc, sistema de preços, salários, combustível dos caminhões de cerveja, do ônibus, tarifa do ônibus.
o desejo de uma vida sem trabalho em que todos a aproveitem choca-se com a necessidade de produzir o tempo todo.
a produção está oculta. aparece apenas a disponibilidade do produto, o que leva a ilusão de que a vida poderia ser muito mais simples: contudo a vida está marcada pela contradição. a variedade e quantidade de alimentos a preço acessível no supermercado oculta o processo longo de sua produção, distribuição, implicações políticas, inserção no sistema mundial de preços. pessoal uniformizado de limpeza nos estabelecimentos, lixeiros que trabalham de madrugada fazem sumir todo o descartado do consumo excessivo. pela manhã tudo está limpo como que por mágica.
o filho da classe média tem essa mesma sensação dentro da própria casa: roupa limpa e passada, almoço pronto na hora certa, casa limpa. divisão familiar do trabalho. divisão social: há empregadas domésticas.
então, o tempo de usufruir das mercadorias é o tempo da vida. o tempo da vida oculta o tempo da produção, que é o tempo do consumo da vida. portanto a natureza separada da produção em relação ao consumo oculta também a realidade da morte em relação à vida.

sábado, 25 de julho de 2009

sexta-feira, 24 de julho de 2009

sábado, 18 de julho de 2009

domingo, 12 de julho de 2009

encontros e desencontros

no japão as idéias estão fora do lugar

segunda-feira, 6 de julho de 2009

domingo, 5 de julho de 2009