quarta-feira, 29 de julho de 2009

o constrangimento

elementos que nos forçam, ou nos inclinam a certas atitudes apesar da liberdade de escolha. constrangimento. o nascimento é o primeiro deles. a morte é o último. o sexo está no meio, e é também o início e o fim. a liberdade de escolha é ilusão: liberdade relativa não é liberdade. liberdade é uma abstração para a qual não há correspondente no mundo concreto.
nascer na miséria, por exemplo, tem implicações profundas. a classe média despreza o vagabundo, com seu discurso "quem tem vontade supera a pobreza!"; a mídia tem o prazer de divulgar a excessão do pobre que enriquece, como exemplo, como se fosse oportunidade geral e universalmente acessível. a classe trabalhadora incorpora o discurso: "eu trabalhei e agora olha só onde eu cheguei!" chegou aonde? porque comprou uma moto, porque tem celular novo, acha que subiu na vida; continua explorado pela classe dominante. a classe trabalhadora se reveste com o individualismo burguês a cada geração.
a vontade supera a pobreza? dentro de certos limites apenas. a vontade surge do modo particular como cada um concebe o mundo. as concepções de mundo se formam pela experiência no mundo: a criança que consegue facilmente dos pais os brinquedos que as propagandas divulgam nos intervalos do horário da programação infantil da tv, forma concepção diferente de mundo (exagero?). além disso essa criança toma café da manhã, toma banho, veste roupas limpas todos os dias e frequenta escola particucular, ou pelo menos não vai para o semáforo esmolar...
ser rico ou pobre, branco ou negro, mulher ou homem (ou homossexual), brasileiro ou sueco; desde o princípio condições inescapáveis, constrangimentos, impõem campos limitados de escolha aos sujeitos.

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