domingo, 30 de agosto de 2009

revolução verde


um dia as pessoas vão comer vegetais apenas. nesse dia todos os animais do mundo terão seus sentimentos respeitados de verdade! os revolucionários verdes querem convencer os temíveis carnívoros a pararem a matança, mostrando-lhes fotos de animais cruelmente mortos. por pouco essa estratégia não funciona. mas não funciona pelo mesmo motivo que fotografias de crianças africanas pré-mortas não convencem os maldosos a repartirem o que têm. os carnívoros matam os animais para comer e para diversão: sangue e diversão.
o apelo à compaixão humana nem sempre convence porque desfaz apenas temporariamente a separação das coisas. portanto causa apenas choque, que passa assim que voltamos à condição como se encontram as coisas na vida rotineira, ou seja, separadas: encontramos apenas a carne, talvez até já devidamente assada (porque os ovos dos vermes devem ser mortos); o longo processo de criação, morte, esquartejamento dos animais; relações de trabalho entre donos de frigoríficos, empresas transnacionais do que quer que seja, transporte, açougue - tudo isso está oculto. a quantidade de produção, o valor do salário dos trabalhadores, etc, preço do transporte, tudo o que permite que a carne chegue a preço acessível. tudo está oculto. tudo está oculto para todos (duas partes): 1- eu compro a carne para o almoço e não penso na morte do animal, retirado pelo despotismo humano, de sua vida livre na natureza . 2- o revolucionário verde acredita que o que faz o carnívoro é a maldade pura. ele se engana porque, além da maldade há a necessidade cruel. o que está oculto ao revolucionário verde é que o preço dos vegetais é possível apenas com a continuidade da pecuária. no mundo capitalista até o café que o vegetariano toma faz parte de uma economia na qual está incluída a produção e o consumo de carne. o mesmo para o carro com que ele se desloca por este mundo injusto, ou celular que ele usa, ou apartamento onde ele mora. no mundo capitalista o preço das coisas todas depende do dos salários de quem as produz. os salários dependem de quanto o burguês-sem-coração pode explorar o trabalhador pagando o mínimo para que ele possa comer (sobreviver, continuar trabalhando-reproduzindo a força de trabalho). tudo isso para dizer que os trabalhadores comem carne, viabilizando o acesso aos vegetais (?!). o revolucionário verde é cumplice do homem carnívoro: ele consome carne de forma indireta. também é cumplice do capitalismo, mas tudo bem, porque em geral eles acreditam no desenvolvimento sustentável, ou seja, que o mundo se torne um lugar sem mortes de vacas e crianças, desde que se possa conservar a liberdade individual e o direito de propriedade privada: essa concepção só é possível desde que não se tenha a menor desconfiança da condição de separação em que se encontram as coisas. a solução portanto está nos revolucionários verdes socialistas (verdes-vermelhos), pois na sociedade sem classes os homens e os animais têm os mesmos direitos e deveres. ou não.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

o cavaleiro solitário



clint eastwood, reverendo, ou algo assim (preacher), chega no vilarejo de mineradores, bate em todos os opressores, ajuda os oprimidos. o grande minerador expropria os pequenos de suas terras; tem matadores especializados para isso: o cherife e seus assistentes.

os pequenos mineradores não evoluem porque não se esforçam o suficiente. clint eastwood é reverendo: o grande minerador sabe o perigo que isso tem - o alimento espiritual unirá os pequenos dificultando sua expulsão da terra. clint eastwood ensina que "quase tudo é possível com trabalho duro"...e mais alguma coisa...ou algo assim. então os pequenos mineradores animam-se a quebrar uma rocha difícil.

os pequenos mineradores não tem esperança nem coragem: desistem ou vendem a qualquer preço as terras em que vivem suas famílias. clint eastwood negocia o preço justo com o grande minerador. clint eastwood dá o exemplo de que é possível bater em todo mundo. então os mineradores pequenos animam-se a perceber que nenhum preço é justo por suas terrinhas promissoras e vão a luta.

acontece que clint eastwood tem a morte no olhar. o grande minerador percebeu logo. o cherife bem sabia disso. clint eastwood é o homem solitário: salvou o vilarejo, ensinou a coragem, o trabalho, deixou apaixonadas tanto uma certa viúva como a filha dela, e foi embora. ele é o homem solitário, tem o destino de cavalgar pelos lugares desertos do oeste, com valores incorruptíveis e sem possibilidade de laços mais profundos. porque ele tem a morte no olhar, conhece de perto a condição humana: por muito tempo sofreu e fez sofrer. a menina, filha da viúva, declarou seu amor. ele sabia que não podia aceitar, não podia ser feliz, não podia fazer feliz. recomendou que ela esperasse por um jovem que viria. clint eastwood precisa continuar.

domingo, 16 de agosto de 2009

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

malcolm x

“Todos os negros são furiosos e eu sou o mais furioso de todos os furiosos” - malcolm x.
concepção furiosa do mundo!! grrrrrrr!!!!!!!!!!!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

sábado, 8 de agosto de 2009

destruição conceptiva de mundo

então o mundo não presta. então a juventude (o futuro da nação) pode, no máximo, brincar de revolução. os jovens militantes universitários negociam com o reitor. eles não sabem que o reitor necessariamente representa o poder hegemônico. o reitor é um agente a serviço do capitalismo. não por acaso: ele comanda a universidade. a universidade é o lugar da formação de profissionais qualificados para o mercado de trabalho. portanto o reitor ocupa uma posição muito mais complexa. ele não é um agente das forças do mal: seria mais fácil se fosse. os militantes ironizaram a morte do pinotti (pouco me importa), como se o indivíduo tivesse alguma importância: o que importa é a função do cargo político. se o movimento estudantil fosse mais que reformismo teria que deixar de ser estudantil: a mudança da universidade feita por dentro é apenas oportunismo, "se nada mudar eu pego meu diploma e vou trabalhar, afinal". a mudança deveria vir de fora e ter como pressuposto a mudança da sociedade. negociar com o reitor é considerá-lo instância legítima de poder: como de fato ele é...dentro da perspectiva burguesa vigente. mas isso é só um exercício de lógica, porque o buraco é mais embaixo.

concepção destrutiva do mundo

minha geração não tem vontade de nada. vontade de acabar apenas. pouco me importa: toda causa é causa perdida. o vazio é tão amplo que até o fatalismo fica só no discurso. (os mais espertos encontrarão uma contradição aqui). hoje em dia fatalismo e crise de identidade são elementos de estilo. pega bem não se importar, ridicularizar os militantes. "é descolado", "desencanado", "é viver a vida real". o mundo é o que é. o capitalismo é o fim da história? essas são páginas de autismo: eu escrevo, eu leio. referências com correspondentes apenas no meu mundo. minha geração cresceu vendo power rangers, exterminador do futuro, stalone cobra. é o que houve de melhor nos últimos 200 anos. ouvindo nirvana e criando identidade grunge sem entender a letra. concepção (re-)destrutiva de mundo. eu quero destruir o mundo? ninguém destrói o mundo com palavras. clube da luta é uma boa alternativa: para isso é preciso encontrar o brad pitt que há dentro de cada um de nós. mas o que é o mundo? é uma abstração. eu conheço o mundo pela t.v.. o mundo para quem atravessa a pé o terminal central depois de descer do ônibus (eu: meu exemplo de abordagem empírica do mundo) é diferente do mundo de quem passa de carro por cima do viaduto cury. ninguém tem culpa, entretanto. mesmo assim as forças estão em choque e sempre há vitmas inocentes.
debaixo do viaduto cury há o terminal central. lá há lojas de todas as coisas e também barracas de camelôs com mais coisas. há uma instituição de assistência social: "casa da cidadania" (hehe), portanto há muitos mendigos. do outro lado, do lado da linha do trem há esse belo canto debaixo do viaduto cury. é um canto secreto, que ninguém vê, só eu. ali se juntam muitos mendigos. eu não sei como eles chegam ali. a cada vez que passo por cima deles (em sentido semi-figurado) eles são mais.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

a sociedade do espetáculo

algumas horas de entretenimento inocente de férias: eis um novo motivo!

mas não tem nada. só achei bonito. como todos sabem, hannah montana e arquitetura grega são símbolos fundadores da civilização ocidental. fora isso, todo o resto é arbitário. qualquer interpretação é mero acidente.