sábado, 8 de agosto de 2009

concepção destrutiva do mundo

minha geração não tem vontade de nada. vontade de acabar apenas. pouco me importa: toda causa é causa perdida. o vazio é tão amplo que até o fatalismo fica só no discurso. (os mais espertos encontrarão uma contradição aqui). hoje em dia fatalismo e crise de identidade são elementos de estilo. pega bem não se importar, ridicularizar os militantes. "é descolado", "desencanado", "é viver a vida real". o mundo é o que é. o capitalismo é o fim da história? essas são páginas de autismo: eu escrevo, eu leio. referências com correspondentes apenas no meu mundo. minha geração cresceu vendo power rangers, exterminador do futuro, stalone cobra. é o que houve de melhor nos últimos 200 anos. ouvindo nirvana e criando identidade grunge sem entender a letra. concepção (re-)destrutiva de mundo. eu quero destruir o mundo? ninguém destrói o mundo com palavras. clube da luta é uma boa alternativa: para isso é preciso encontrar o brad pitt que há dentro de cada um de nós. mas o que é o mundo? é uma abstração. eu conheço o mundo pela t.v.. o mundo para quem atravessa a pé o terminal central depois de descer do ônibus (eu: meu exemplo de abordagem empírica do mundo) é diferente do mundo de quem passa de carro por cima do viaduto cury. ninguém tem culpa, entretanto. mesmo assim as forças estão em choque e sempre há vitmas inocentes.
debaixo do viaduto cury há o terminal central. lá há lojas de todas as coisas e também barracas de camelôs com mais coisas. há uma instituição de assistência social: "casa da cidadania" (hehe), portanto há muitos mendigos. do outro lado, do lado da linha do trem há esse belo canto debaixo do viaduto cury. é um canto secreto, que ninguém vê, só eu. ali se juntam muitos mendigos. eu não sei como eles chegam ali. a cada vez que passo por cima deles (em sentido semi-figurado) eles são mais.

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