domingo, 27 de setembro de 2009

paradigma da ausência


propaganda do mec sobre o ofício de professor. diz que os países europeus tiveram capacidade para se desenvolver muito econômica e socialmente. aí pergunta: "qual o profissional responsável pelo desenvolvimento?", "o professor" respondem os europeus (e uma japonesa).
na verdade essa resposta é mentira. o profissional que garantiu o desenvolvimento desses países foi o general, ou algum outro militar, algum corsário, comerciantes de escravos, etc. a "capacidade" européia de se desenvolver não vem da educação, vem da acumulação primitiva, vulgo imperialismo-colonial-neocolonial-eurocentrico-racionalista-iluminista-greco-romano-cristão-industrial-capitalista-do-mal. então o que está errado é a pergunta, que deveria ser: "qual o profissional responsável pelo desenvolvimento nos países pobres não imperialistas do mundo contemporâneo?" aí sim: o professor...

3 comentários:

  1. "imperialismo-colonial-neocolonial-eurocentrico-racionalista-iluminista-greco-romano-cristão-industrial-capitalista-do-mal" hahha Genial!

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  2. caraca, pura complexidade em uma explanação maravilhosa...

    http://cemiteriodaspalavrasperdidas.blogspot.com/

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  3. Fala, cara! Beleza? Bom te achar aqui novamente! O que aconteceu com seu outro blogue, que não funciona mais? Segue lá o meu, mano, não tem como eu seguir o seu também?

    Rapaz, há muito tempo eu tava procurando essa propaganda na Net! Eu gosto dela, porque tem as pessoas falando em outras línguas, e como você sabe que eu gosto de línguas... Mas eu não concordei com ela, obviamente, porque o Brasil tem essa mania de "panaceia", ou seja, achar coisas que sozinhas podem resolver todos os males... O Sérgio Buarque em "Raízes do Brasil" (1936) já criticava os ideólogos da Primeira República que pensavam que alfabetizando todo o Brasil ele seria uma potência. O governo agora comprou o discurso do Cristóvam Buarque, que só falava em educação...

    Por sinal, vamos ativar um pouco nossa memória? Em 2004 ou 2005 a Veja publicou uma capa com parte do quadro "A liberdade guiando o povo", mas com Marianne carregando uma bandeira sul-coreana (aproveito pra corrigir: a "japonesa" não é japonesa, mas sul-coreana... ;=D) e escrito na frente: "A Coreia fez, o Brasil também pode fazer". Matéria de capa que louvava o grande progresso da renda per capita sul-coreana com o pretexto de que a educação (e somente ela) tinha levado o país ao desenvolvimento. Nota: dizia ainda que, enquanto a Coreia do Sul nos exportava celulares e computadores, nós lhe exportávamos frutas e suco de laranja...

    Bem, minha opinião: concordo com você de que tudo isso foi o que gerou o desenvolvimento (na verdade, acho que mais a riqueza) europeu, mas penso que tem outras coisas que se aplicadas aqui, também dariam certo: os entraves estruturais. Achar que nos países subdesenvolvidos o professor seria o responsável pelo desenvolvimento é aceitar a tese da "panaceia". Muita coisa que os países europeus eliminaram foram a burocracia enorme, a má interligação entre as diversas partes do país (curada tanto com boas estradas e ferrovias quanto com grandes bancos de dados, informatização etc. - não vê como aqui se cria facilmente um "laranja" com RG e tudo?), a carga tributária pesada (por isso negócios no Brasil são difíceis de abrir e fáceis de fechar) e o corolário de tudo isso: a corrupção (desvio de dinheiro a ser usado em benefícios públicos). Tudo isso são coisas de que o Brasil ainda padece e que, creio, mas não sei se estou certo, que são empecilhos (não os únicos) ao desenvolvimento.

    Grande abraço!

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