quarta-feira, 11 de novembro de 2009

investir no futuro

propagandas de banco são mentirosas até o absurdo. dão-se ao trabalho de produzir imagens relacionadas a tipos específicos de situações e pessoas: todos os tipos de pessoas são clientes em potencial. o banco é um mal "necessário". a propaganda, então, tenta criar o necessário não necessariamente mal; o necessário como necessidade para a felicidade. são imagens distantes do banco da vida real. na vida real a experiência de usar o serviço bancário tem marcas pouco agradáveis: filas, guardas armados, câmeras de segurança, porta giratória, atendentes e gerentes cujas vidas não são mais que extensão do caixa eletrônico.
(clique na imagem para ver melhor. intervenções em vermelho são minhas). as imagens associam o banco ao sonho, ao investimento seguro no futuro. o sonho do carro novo, a velhice saudável. ter uma conta que dê as melhores vantagens significa um meio de cuidar bem do futuro do próprio filho. no primeiro panfleto, um garoto sorridente de cabelo penteadinho...ao fundo, carro, família, torre eiffel (!), um avião, é o futuro ideal...dar um futuro feliz para o filho é garantir que, além de reproduzir a mediocridade do pai, tenha a possibilidade de viajar pelo mundo - como se isso pudesse ser garantido pelo serviço bancário em questão...
no panfleto de baixo, "seguro de vida": um almofadinha/jovem de classe média bem sucedido -possível futuro do garoto do panfleto de cima - com três filhos bebês e um sorriso idiota no rosto. inexplicável e absolutamente irreal. "se a responsabilidade é grande, a alegria é três vezes maior." lembremos, o panfleto é sobre seguro de vida: trata-se de alguém que colocou três novos seres humanos no mundo, mas é responsável o suficiente para não deixá-los desamparados no caso de sua morte prematura e violenta. daí o sorriso, de alguém seguro de cumprir com suas responsabilidades de pai.

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