quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

"a natureza é a igreja de satã"

a cidade é a expressão da luta do homem contra a natureza: as casas, a luz elétrica, o traçado planejado das ruas, são a vitória do homem contra a natureza externa, ou seja, a floresta, os animais, a escuridão, a falta de alimentos, a morte precoce ou súbita. as casas, a luz elétrica, o traçado planejado das ruas, também são a vitória do homem sobre sua natureza interna, pois além do mais, é isso que dá ao homem "civilização e polidez", como diz carlos stevenson. as ruas e estradas bem pavimentadas permitem que a força de trabalho se desloque de forma mais eficiente, portanto menos dispendiosa - o mesmo quanto às mercadorias que produz. o homem é o que consome. as mercadorias - livros, dvd, alimento, drogas (cerveja, etc) - chegam em abundância e preço acessível às estantes do supermercado; a luz elétrica permite o prolongamento das atividades após o pôr do sol. é graças às casas, a luz elétrica, ao traçado planejado das ruas que o homem cria uma nova sensibilidade que afasta de seus olhos, narizes e mãos aquilo que nele há de animal, de escuridão, de floresta.
a nova sensibilidade ensina ao homem que é normal/natural chocar-se e sentir náuseas e medo diante de certas coisas. sem esgoto e água encanada, para além das dificuldades com a manutenção da saúde, o homem muda sua relação consigo mesmo: a forma como o homem moderno pensa a si mesmo depende 1- do fato de que a privada de seu banheiro leve embora, imediatamente e sem nenhum contato, todos os excretas que seu corpo produz, 2-do fato de existir papel higiênico, 3-e do hálito fresco garantido pelo hábito cotidiano de escovar os dentes usando para isso a liberdade de escolher o creme dental que mais lhe agradar; uma menina de classe média, 19 anos, universitária, não pode deixar de se sentir a pior pessoa do mundo, caso não possa tomar pelo menos dois banhos por dia.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

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domingo, 27 de dezembro de 2009

o anticristo


"a natureza é a igreja de satã"

sábado, 26 de dezembro de 2009

retrospectiva 2009

sinto que a essa altura tudo já foi re-escrito e não resta mais nada. penso em parar com este blog, até aqui tão divertido. afinal, para que eu preciso de 3 blogs?! nunca me canso de falar sozinho, é isso. a tentativa de separar formas específicas de escrita e temas para cada blog é pura pretensão - frustrada, por sinal.
mas pensando melhor, acho que continuo, porque aqui posso dizer besteiras sem o peso de dividi-las com outros. em outros blogs é preciso dar espaço para que os outros desenvolvam livremente sua capacidade para dizer bobagens também. eu já nasci com o dom...

permanece o tema de guy debord: "no mundo realmente invertido, a verdade é um momento do falso." ou algo assim. não importa, porque eu não sei mesmo o que significa, apenas acho bonito. do mesmo modo com a minha montagem tema, pretenciosamente - pretensão é o que não falta - intitulada a "sociedade do espetáculo". no entanto, não analiso mais a indústria cultural, nem os mendigos do terminal central, nem a relação entre uma coisa e outra. quer dizer, não analiso diretamente, porque, de qualquer modo, não importa sobre o que eu escreva, estas coisas estão irremediavelmente presentes na minha vida, condicionando de forma inescapável minha percepção de mundo. portanto, faço parte disso. não posso mais, com a crítica feita em um bloguinho, cujo objetivo é ocupar meu tempo livre, acreditar que eu esteja fora da sociedade capitalista-industrial-massificada-alienada. sou cúmplice da fome do bêbado sujo que passa frio de baixo do viaduto. devido a minha situação de classe não posso prescindir da repressão do estado aos marginais, para que eu possa, junto com todos os filhos da classe média, chegar em segurança ao conforto do lar. preciso da segurança e do conforto do lar para me tornar cidadão produtivo e consumidor. clichês..

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

fundamentos do vazio da existência

1. os miseráveis totais dividem suas funções sociais pelo critério sexual. percebi que só há mendigos homens, as mulheres no mesmo grau de miséria viram prostitutas. os mendigos se juntam em muitos debaixo do viaduto, caídos pelo chão. estar bêbado constantemente é condição para suportar a existência. para comprar álcool, eventualmente apelam à compaixão de algum cidadão passando apressado e enojado por entre eles. por ser vagabundo, bêbado e sujo, o mendigo enoja e ofende o cidadão. o mendigo, então, não é o bandido; em geral não tem condições nem para roubar. é o excluído completo. o mendigo não é também o moleque de rua, que intimida a classe média, apenas pelo jeito mal encarado, pelo linguajar inadequado. a presença do moleque de rua estraga as compras de natal de uma hipotética família recém formada. um casal feliz, a caminho do shopping, é constrangido a explicar ao filhinho, qual triste acaso produziu aquele bandido mirim que pede moedas no semáforo.
2. o motorista do ônibus diz ao cobrador:
- quando eu era criança, minha mãe dizia, "estuda, menino...pra não virar motorista". mas eu ia na escola só pra tomar sopa..
3. émile zola mostrou a irracionalidade da exploração capitalista (o germinal): os trabalhadores da mina de carvão sofrem pelo trabalho difícil e pela miséria que sua baixa remuneração confirma.
porém, o patrão, dono da mina, reflete sobre a miséria de sua vida burguesa, cercada de privações, sentimentos reprimidos, a traição da esposa: o burguês, então, inveja a vida sofrida de seus mineiros, que apesar de tudo, tem suas diversões sexuais após o trabalho.
4. louis althusser explica que a continuidade das relações de produção capitalistas se deve a inserção da ideologia burguesa em todos os níveis da vida concreta. isso explica porque os trabalhadores vivem miseravelmente e não se revoltam. porque essa ideologia garante que permaneçam na mesma condição: uma condição que não permite enxergar claramente a natureza da exploração em que vivem. a ideologia burguesa reveste a exploração, com expressões jurídicas, religiosas, políticas, etc. com isso o pobre acha que é pobre porque não fez por merecer, e acredita que a riqueza do rico justifica-se pelo argumento oposto.
porém, althusser acha também que a ideologia burguesa não é uma forma com a qual a burguesia conscientemente engana os trabalhadores. a ideologia burguesa é uma forma de entender a realidade, cujos pressupostos são tidos como verdadeiros apenas pelo fato de ser a ideologia dominante. a organização do mundo a partir de uma concepção ilusória, ideológica, portanto, faz com que o próprio burguês viva uma vida sem sentido, apenas reproduzindo as condições de exploração, pela manutenção dos privilégios de sua classe e manutenção da precariedade da sobrevivência da classe trabalhadora.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

crepúsculo

1- o "look do vampiro" só é possível para mulheres brancas: "pele clara com olhos e boca marcados". 2- exitiria o "look do vampiro" para homens? o filme crepúsculo reinventou a imagem do vampiro e esvaziou seu sentido. na verdade, o fato de haver personagens vampiros no fime é meramente acessório.
3- esses filmes produzidos em série para adolescentes são sempre repetições de temas, expostos com repetições na forma. ainda assim repetem o sucesso de venda. parece que o adolescente filho da classe média precisa confirmar continuamente algumas coisas, alguns valores inventados até acreditar que isso faz parte de sua identidade própria.
4- é o tema do amor impossível, porque ele é vampiro e ela é a caça de melhor gosto possível.
5- ela é uma menina independente, que não liga para as bobagens do vestido do baile da escola, como as amigas. ela fala pouco e não gosta de dançar. ela é diferente - isso é central: esse filme é para os iguais que se julgam diferentes. ela é isso, mas, na verdade, ela é a menina que encontrou no vampiro a personificação do mito do amor romântico: o garotão que salvou-lhe a vida, que pode levá-la para voar entre as árvores e ainda brilha no sol. ela é muito independente, têm muita personalidade e ao mesmo tempo, pode ostentar um namorado que faz coisas que os namorados das outras meninas não fazem, embora tenha problemas de ereção, já que é vampiro, mas um vampiro que é para casar, pois ele é rico, filho de um médico bem sucedido, mora numa casa bem decorada e retirada.
6- também há os vampiros maus, que são os que se alimentam de sangue humano e vivem como vagabundos na floresta. um negro, um marginal, uma puta.
7- o filme não é sobre vampiros. é sobre a personalidade da adolescente moderna, que deve ter atitudes independentes paradoxalmente unidas a valores tradicionais. depois é a confirmação dos atributos do rico e dos atributos do vagabundo, associados respectivamente a bom e mau.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

fetiche da mercadoria


a imagem fala por si só. o acesso ao que há de mais moderno, a ideia de praticidade, de disponibilidade de uma infinidade de possibilidades em um aparelho perfeito para a vida moderna.
na vida moderna a obsessão pela praticidade está em todo lugar. um aparelho leve, pequeno e fácil de usar, que tira fotos, reproduz vídeos e música, etc - também serve para telefonar e passar mensagens para outras pessoas.
design sofisticado, como o de algo vindo do futuro, ou do espaço. um pequeno objeto retangular cheio de recursos tecnológicos, cromado e despojado, bonito e discreto.

1- o nokia n97 não é bonito nem moderno em si. foi feito, na verdade, de acordo com uma construção estética do moderno pelo cinema (!). um executivo parado no trânsito de são paulo representa sua distinção, status e bom gosto falando e gesticulando sozinho no carro importado - vidro fechado, ar condicionado - com seu nokia n97 encostado ao ouvido.
2- a crítica à obsessão pela praticidade é justificada, não é simples conservadorismo anti-tecnológico. a funcionalidade, tudo rápido, tudo ao mesmo tempo, tudo no mesmo lugar, fácil de levar de um lugar ao outro, tudo isso facilita em muito a vida, de fato. mas que vida? é a vida em que é preciso fazer todas as coisas sem perder tempo, todas as coisas de forma funcional. e claro, estar preparado para receber ligações no caso de alguma emergência do trabalho, ou da necessidade de comprar algo especial para o jantar, ou ligar para a polícia no caso de um assalto - se não roubarem o n97 - ou ligar para a emergência no caso de um enfarte, ou de um incêndio.
portanto, o n97 é totalmente necessário às necessidades da vida moderna.