sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

fetiche da mercadoria


a imagem fala por si só. o acesso ao que há de mais moderno, a ideia de praticidade, de disponibilidade de uma infinidade de possibilidades em um aparelho perfeito para a vida moderna.
na vida moderna a obsessão pela praticidade está em todo lugar. um aparelho leve, pequeno e fácil de usar, que tira fotos, reproduz vídeos e música, etc - também serve para telefonar e passar mensagens para outras pessoas.
design sofisticado, como o de algo vindo do futuro, ou do espaço. um pequeno objeto retangular cheio de recursos tecnológicos, cromado e despojado, bonito e discreto.

1- o nokia n97 não é bonito nem moderno em si. foi feito, na verdade, de acordo com uma construção estética do moderno pelo cinema (!). um executivo parado no trânsito de são paulo representa sua distinção, status e bom gosto falando e gesticulando sozinho no carro importado - vidro fechado, ar condicionado - com seu nokia n97 encostado ao ouvido.
2- a crítica à obsessão pela praticidade é justificada, não é simples conservadorismo anti-tecnológico. a funcionalidade, tudo rápido, tudo ao mesmo tempo, tudo no mesmo lugar, fácil de levar de um lugar ao outro, tudo isso facilita em muito a vida, de fato. mas que vida? é a vida em que é preciso fazer todas as coisas sem perder tempo, todas as coisas de forma funcional. e claro, estar preparado para receber ligações no caso de alguma emergência do trabalho, ou da necessidade de comprar algo especial para o jantar, ou ligar para a polícia no caso de um assalto - se não roubarem o n97 - ou ligar para a emergência no caso de um enfarte, ou de um incêndio.
portanto, o n97 é totalmente necessário às necessidades da vida moderna.

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