sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

fundamentos do vazio da existência

1. os miseráveis totais dividem suas funções sociais pelo critério sexual. percebi que só há mendigos homens, as mulheres no mesmo grau de miséria viram prostitutas. os mendigos se juntam em muitos debaixo do viaduto, caídos pelo chão. estar bêbado constantemente é condição para suportar a existência. para comprar álcool, eventualmente apelam à compaixão de algum cidadão passando apressado e enojado por entre eles. por ser vagabundo, bêbado e sujo, o mendigo enoja e ofende o cidadão. o mendigo, então, não é o bandido; em geral não tem condições nem para roubar. é o excluído completo. o mendigo não é também o moleque de rua, que intimida a classe média, apenas pelo jeito mal encarado, pelo linguajar inadequado. a presença do moleque de rua estraga as compras de natal de uma hipotética família recém formada. um casal feliz, a caminho do shopping, é constrangido a explicar ao filhinho, qual triste acaso produziu aquele bandido mirim que pede moedas no semáforo.
2. o motorista do ônibus diz ao cobrador:
- quando eu era criança, minha mãe dizia, "estuda, menino...pra não virar motorista". mas eu ia na escola só pra tomar sopa..
3. émile zola mostrou a irracionalidade da exploração capitalista (o germinal): os trabalhadores da mina de carvão sofrem pelo trabalho difícil e pela miséria que sua baixa remuneração confirma.
porém, o patrão, dono da mina, reflete sobre a miséria de sua vida burguesa, cercada de privações, sentimentos reprimidos, a traição da esposa: o burguês, então, inveja a vida sofrida de seus mineiros, que apesar de tudo, tem suas diversões sexuais após o trabalho.
4. louis althusser explica que a continuidade das relações de produção capitalistas se deve a inserção da ideologia burguesa em todos os níveis da vida concreta. isso explica porque os trabalhadores vivem miseravelmente e não se revoltam. porque essa ideologia garante que permaneçam na mesma condição: uma condição que não permite enxergar claramente a natureza da exploração em que vivem. a ideologia burguesa reveste a exploração, com expressões jurídicas, religiosas, políticas, etc. com isso o pobre acha que é pobre porque não fez por merecer, e acredita que a riqueza do rico justifica-se pelo argumento oposto.
porém, althusser acha também que a ideologia burguesa não é uma forma com a qual a burguesia conscientemente engana os trabalhadores. a ideologia burguesa é uma forma de entender a realidade, cujos pressupostos são tidos como verdadeiros apenas pelo fato de ser a ideologia dominante. a organização do mundo a partir de uma concepção ilusória, ideológica, portanto, faz com que o próprio burguês viva uma vida sem sentido, apenas reproduzindo as condições de exploração, pela manutenção dos privilégios de sua classe e manutenção da precariedade da sobrevivência da classe trabalhadora.

2 comentários:

  1. 1. observância e constatação da empiria reservada ao futuro (meu/nosso/de muitos).

    2. ao menos tinha a sopa. o estudo, mesmo que se esforcem, para os desqualificados (ou, os mais explorados) do sistema "resolve" apenas em casos isolados (os quais são exibidos, geralmente, em noticiários e programas de tv como "exemplos de superação, trabalho, disciplina etc" [tudo isso sem questionar os motivos da desigualdade; "casos exemplares" para alimentar a esperança de alguns e para que continuem trabalhando]).

    3. nem os que exploram conseguem satisfação... vazio da existência - conforme organizada na sociedade capitalista (e, talvez, em qualquer sociedade) - fundamentado.

    4. tenho "dúvidas"/"desconhecimentos" quanto ao uso da ideologia como "pedra de toque" explicativa. não li althusser, não discuto; por enquanto, este ponto.

    tá, muita coisa prum comentário, chega.

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  2. Cara, arthur,
    hoje sohei com você. Antes que vc se empolgue, nao foi um sonho molhado nem nada disso, mas a gente lutou contra um monstro escroto que parecia um lobo mas que no final era maior do que um elefante. Bom, eu lutei pelo menos.

    Beijos,
    Andrew

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