sábado, 30 de janeiro de 2010

capitão de indústria

´
"Eu às vezes fico a pensar
Em outra vida ou lugar
Estou cansado demais
Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
É quando eu me encontro perdido
Nas coisas que eu criei
E eu não sei

Eu não vejo além da fumaça
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas
Ah, Eu acordo prá trabalhar
Eu durmo prá trabalhar
Eu corro prá trabalhar

Eu não tenho tempo de ter
O tempo livre de ser
De nada ter que fazer
Eu não vejo além da fumaça
Que passa e polui o lar
Eu nada sei
Eu nao vejo além disso tudo
O amor e as coisas livres, coloridas
Nada poluídas" - paralamas do sucesso

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

são, são paulo



"são, são paulo meu amor
são, são paulo quanta dor
são oito milhões de habitantes
de todo canto em ação
que se agridem cortesmente
morrendo a todo vapor
e amando com todo ódio
se odeiam com todo amor
são oito milhões de habitantes
aglomerada solidão
por mil chaminés e carros
caseados à prestação
porém com todo defeito
te carrego no meu peito
são, são paulo
meu amor
são, são paulo
quanta dor
salvai-nos por caridade
pecadoras invadiram
todo centro da cidade
armadas de rouge e batom
dando vivas ao bom humor
num atentado contra o pudor
a família protegida
um palavrão reprimido
um pregador que condena
uma bomba por quinzena
porém com todo defeito
te carrego no meu peito
são, são paulo
meu amor
são, são paulo
quanta dor
santo antonio foi demitido
dos ministros de cupido
armados da eletrônica
casam pela tv
crescem flores de concreto
céu aberto ninguém vê
em brasília é veraneio
no rio é banho de mar
o país todo de férias
e aqui é só trabalhar
porém com todo defeito
te carrego no meu peito
são, são paulo
meu amor
são, são paulo" - tom zé

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

cultura industrial




as coisas são o que são.

"quanto mais densa e integral a duplicação dos objetos empíricos por parte de suas técnicas, tanto mais fácil é fazer crer que o mundo de fora é só um prolongamento daquele que se acaba de ver no cinema" - adorno e horkheimer

sábado, 23 de janeiro de 2010

café divisão do trabalho despropósito


na verdade, a essa altura eu já não sei mais porque isso me preocupa. desconfio que esse incômodo com as coisas não seja real. às vezes acho que a incoerência entre as palavras e as ações demonstra que toda minha crítica não passa de exercício de lógica. a escolha dos objetos que eu identifico como dignos de atenção, não passa de reprodução do que é possível ao olhar academicamente domesticado. a forma como descrevo as coisas não passa de reprodução do que é possível fazer com palavras academicamente compreensíveis. então, assisto estupidificado pela t.v. uma bobagem ideológica qualquer como essa propaganda...penso em escrever. me revolta que um publicitário burguês ganhe dinheiro produzindo uma noção equivocada a respeito da divisão do trabalho, ainda mais quando sua arte serve a um banco! então escrevo. me revolta?
enquanto a úlcera não perfura meu estômago e a idade não permite o derrame cerebral, vejo no intervalo do jornal nacional, o bradesco dando a resposta para um mundo melhor feito de trabalho. o café é um "ritual" na vida do trabalhador brasileiro. a trabalhadora que acorda "bem cedinho" e fica satisfeita apenas pelo elogio do café feito por ela. o brasileiro não vive sem o café. talvez seja assim mesmo. que mal tem? acorda cedo, toma o café, "nossa! que café gostoso!", "é! fui eu que fiz!" sim. é isso. minha implicância é gratuita, injustificada e deslocada de questões subjetivas.
então, aprendo até o fim: a moça que serve o café para que os brasileiros consigam trabalhar, o cara que planta o café, o cara que prova o café, o cara que moe e torra o café. todos juntos, todos orgulhosos de produzir o café de melhor qualidade, o café brasileiro que se toma no mundo inteiro. salários e condições de trabalho diferente são detalhes, todos trabalham juntos e dependem um do outro. todos estão dedicados para fazer o seu melhor e conseguir...um produto competitivo no mercado.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

subdivisions



"sprawling on the fringes of the city
in geometric order
an insulated border
in between the bright lights
and the far unlit unknown

growing up it all seems so one-sided
opinions all provided
the future pre-decided
detached and subdivided
in the mass production zone

nowhere is the dreamer or the misfit so alone

subdivisions --
in the high school halls
in the shopping malls
conform or be cast out
subdivisions --
in the basement bars
in the backs of cars
be cool or be cast out
any escape might help to smooth
the unattractive truth
but the suburbs have no charms to soothe
the restless dreams of youth

drawn like moths we drift into the city
the timeless old attraction
cruising for the action
lit up like a firefly
just to feel the living night

some will sell their dreams for small desires
or lose the race to rats
get caught in ticking traps
and start to dream of somewhere
to relax their restless flight

somewhere out of a memory of lighted streets on quiet nights... " - rush

sábado, 16 de janeiro de 2010

haiti

da distância da miséria egoísta de estudante de classe média, ver pela televisão e pela internet a desgraça dos haitianos: a vida cotidiana, monótona e repetitiva ganha acontecimentos na desgraça alheia, muito alheia. a morte em massa de anônimos em um lugar distante, cuja existência e aparência só conheço por fotografias e imagens de televisão, vira motivo de comentário na mesa do jantar. a morte dos haitianos, vista graças ao jornal nacional, é pretexto para que membros de uma família falida possam quebrar o silêncio e iniciar um assunto invariavelmente destinado a não mais que algumas poucas palavras.
a pobreza e a desgraça no haiti, como sabemos graças aos livros didáticos, é constante, diária e existe desde sempre. se a pobreza e as condições precárias crônicas de um pequeno país feito por negros fosse diariamente mostrada pela imprensa, não seria, entretanto, motivo para que o brasileiro médio se comovesse, como não se comove com a existência de favelados em sua própria cidade. os favelados são notícia apenas quando lhes caem do morro os barracos, pelo verão, devido ao aumento das chuvas. a tragédia natural de um terremoto, ou de uma enchente, é entendida como um azar, um triste acaso, ao qual não gostaríamos que ninguém estivesse sujeito. a pobreza é entendida como resultado de incapacidade para estudar, trabalhar honestamente, subir na vida, construir um país próspero. o desastre natural rende imagens espetaculares de destruição, cuja apropriação pela mídia converte-se em meio para conseguir audiência, que atrai a publicidade, que potencializa a venda dos produtos dos fabricantes que podem pagar por bons espaços de propaganda, garantindo destaque no mercado.
a pobreza cotidiana é lenta e invisível.

roxxxy truecompanion

(clique na imagem para ler a notícia)
"roxxxy truecompanion é a primeira robô com inteligência artificial que pode fazer sexo com seu usuário"
"a primeira robô do sexo pode conversar, ouvir, falar, sentir o seu toque e até ser sua amiga e companheira"
"existem cinco perfis de personalidade para roxxxy: frigid farrah (tímida e reservada), wild wendy (aventureira), s&m susan (sadomasoquista), young (garota de 18 anos) e mature martha (que vai te ensinar algumas coisas)."
"novas palavras podem ser adicionadas ao vocabulário da robô, criando a mulher perfeita (ainda que robótica) que discute futebol"
"truecompanion prepara o lançamento em breve da versão masculina do robô, chamado rocky truecompanion."
roxxxy custa entre US$ 7 mil e US$ 9 mil.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

desenhos pubianos

(clique na imagem para ler a notícia.)


"os pelinhos indesejáveis da região da virilha podem ganhar mais utilidade se você der asas a sua imaginação."
"comecei fazendo um coelhinho no dia dos namorados. agora faço de dois em dois meses"
"meu noivo amou, achou lindo. ficou brincando com os desenhos. Agora ele pergunta: qual será o próximo?"
"tanto adolescentes que querem agradar o namorado, e mulheres procurando uma surpresa para o marido, quanto pessoas acima de 40 anos, com pelos brancos ou com poucos pelos e querem preencher com a coloração da púbis."
"o pedido que mais me chamou a atenção foi o escudo do time de futebol atlético mineiro. a garota fez para agradar o namorado"
"preço varia entre 26 e 32 reais. a coloração dura mais, uns 30 dias aproximadamente."

"em todo o verdadeiro homem se oculta uma criança: uma criança que quer brincar. eia; mulheres! descobri no homem a criança! seja a mulher um briquedo puro e fino como o diamante, [...]" - nietzsche

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

easy rider

largar tudo e sair pelo mundo não tem nada de fácil. a sociedade é, mais ou menos intencionalmente, organizada de modo a evitar que isso aconteça. ("mais ou menos intencionalmente" porque, quem organiza a sociedade? - faz sentido a pergunta? a resposta é óbvia?). ou seja, o tipo de vida atual é continuamente reproduzido: de pai para filho, geração para geração, etc. é reproduzida a miséria, a mediocridade, certos valores, certo padrão indispensável de vida/consumo, preconceitos. o tipo de vida é reproduzido, as relações de produção são reproduzidas (não necessariamente nessa ordem, talvez).
a maior parte dos rebeldezinhos filhos da classe média um dia acha seu lugar, sua função social, seus reais interesses de classe. esses rebeldezinhos, cuja rebeldia começa ouvindo nirvana ou ramones (coisas mais ou menos da minha geração. hoje em dia não tenho a menor idéia. nxzero, fresno...) depois evolui para uma tatuagem ou um piercing, mais cedo ou mais tarde largam a estética vazia da rebeldia - "quando eu era moleque fazia cada bobagem..." - e reproduzem o caminho de seus pais, em busca da vida estável.
a vida estável... se algum dos rebeldezinhos realmente fosse um dia capaz de sair pelo mundo, sem desistir, ele ofenderia a liberdade da sociedade dos homens de vida estável. é o que jack nicholson diz a dennis hopper, em um certo momento, fumando maconha, deitados debaixo de uma árvore no meio do nada. jack nicholson representa o filho de classe média que consegue sair pelo mundo. dennis hopper, é algo como um hippie, misturado com motociclista, easy rider, junto com peter fonda. alguém capaz de viver longe das amarras do tipo de vida atual predominante - salário, seguro de vida, serviço bancário, plano de saúde, rg, cpf, carteira de motorista, título de eleitor - seria um insulto ao homem de família, de bons modos, responsabilidade, cuja dedicação garante sua felicidade. mas quem é capaz disso? certamente, assim que eu escrevi a palavra "salário" não restou leitor que ainda me levasse a sério..

sábado, 9 de janeiro de 2010

questão de gênero .3



"corpo de uma coelhinha da playboy foi encontrado queimado numa lata de lixo no último domingo" (clique na imagem pra ler a notícia)









"qual a sua preferência?" a "loira" ou a "morena"?, "a cheerleader" ou a "estudante devoradora de homens"? a "mocinha boazinha" ou a "provocativa"? (clique na imagem pra ler a notícia)




quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

domingo, 3 de janeiro de 2010

proporção dourada

existe uma razão específica entre comprimento e a largura, que define a proporção para o "rosto feminino perfeito". é a mesma proporção usada "na construção das pirâmides e nas obras da athenas antiga". chama-se "proporção dourada"; é a proporção "mais agradável ao olhar".
falta ainda aos cientistas - porque esta é uma pesquisa científica, tanto na questão que coloca como em seus procedimentos de verificação - encontrar a melhor proporção para homens, crianças e "mulheres não-caucáseanas", categoria separada da de "rosto feminino".

sábado, 2 de janeiro de 2010