sábado, 23 de janeiro de 2010

café divisão do trabalho despropósito


na verdade, a essa altura eu já não sei mais porque isso me preocupa. desconfio que esse incômodo com as coisas não seja real. às vezes acho que a incoerência entre as palavras e as ações demonstra que toda minha crítica não passa de exercício de lógica. a escolha dos objetos que eu identifico como dignos de atenção, não passa de reprodução do que é possível ao olhar academicamente domesticado. a forma como descrevo as coisas não passa de reprodução do que é possível fazer com palavras academicamente compreensíveis. então, assisto estupidificado pela t.v. uma bobagem ideológica qualquer como essa propaganda...penso em escrever. me revolta que um publicitário burguês ganhe dinheiro produzindo uma noção equivocada a respeito da divisão do trabalho, ainda mais quando sua arte serve a um banco! então escrevo. me revolta?
enquanto a úlcera não perfura meu estômago e a idade não permite o derrame cerebral, vejo no intervalo do jornal nacional, o bradesco dando a resposta para um mundo melhor feito de trabalho. o café é um "ritual" na vida do trabalhador brasileiro. a trabalhadora que acorda "bem cedinho" e fica satisfeita apenas pelo elogio do café feito por ela. o brasileiro não vive sem o café. talvez seja assim mesmo. que mal tem? acorda cedo, toma o café, "nossa! que café gostoso!", "é! fui eu que fiz!" sim. é isso. minha implicância é gratuita, injustificada e deslocada de questões subjetivas.
então, aprendo até o fim: a moça que serve o café para que os brasileiros consigam trabalhar, o cara que planta o café, o cara que prova o café, o cara que moe e torra o café. todos juntos, todos orgulhosos de produzir o café de melhor qualidade, o café brasileiro que se toma no mundo inteiro. salários e condições de trabalho diferente são detalhes, todos trabalham juntos e dependem um do outro. todos estão dedicados para fazer o seu melhor e conseguir...um produto competitivo no mercado.

2 comentários:

  1. a alienação não é mais somente do trabalho, é da vida.

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  2. o duro é ter que aguentar uns cafés ruins que se encontram em algumas cantinas do brasil afora... e que ainda por cima são caros...

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