segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

easy rider

largar tudo e sair pelo mundo não tem nada de fácil. a sociedade é, mais ou menos intencionalmente, organizada de modo a evitar que isso aconteça. ("mais ou menos intencionalmente" porque, quem organiza a sociedade? - faz sentido a pergunta? a resposta é óbvia?). ou seja, o tipo de vida atual é continuamente reproduzido: de pai para filho, geração para geração, etc. é reproduzida a miséria, a mediocridade, certos valores, certo padrão indispensável de vida/consumo, preconceitos. o tipo de vida é reproduzido, as relações de produção são reproduzidas (não necessariamente nessa ordem, talvez).
a maior parte dos rebeldezinhos filhos da classe média um dia acha seu lugar, sua função social, seus reais interesses de classe. esses rebeldezinhos, cuja rebeldia começa ouvindo nirvana ou ramones (coisas mais ou menos da minha geração. hoje em dia não tenho a menor idéia. nxzero, fresno...) depois evolui para uma tatuagem ou um piercing, mais cedo ou mais tarde largam a estética vazia da rebeldia - "quando eu era moleque fazia cada bobagem..." - e reproduzem o caminho de seus pais, em busca da vida estável.
a vida estável... se algum dos rebeldezinhos realmente fosse um dia capaz de sair pelo mundo, sem desistir, ele ofenderia a liberdade da sociedade dos homens de vida estável. é o que jack nicholson diz a dennis hopper, em um certo momento, fumando maconha, deitados debaixo de uma árvore no meio do nada. jack nicholson representa o filho de classe média que consegue sair pelo mundo. dennis hopper, é algo como um hippie, misturado com motociclista, easy rider, junto com peter fonda. alguém capaz de viver longe das amarras do tipo de vida atual predominante - salário, seguro de vida, serviço bancário, plano de saúde, rg, cpf, carteira de motorista, título de eleitor - seria um insulto ao homem de família, de bons modos, responsabilidade, cuja dedicação garante sua felicidade. mas quem é capaz disso? certamente, assim que eu escrevi a palavra "salário" não restou leitor que ainda me levasse a sério..

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