sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

alienação olimpíadas de inverno .3

"Você é daqueles que não manja nada de Jogos Olímpicos de Inverno? Pois aqui damos um motivo pelo qual você pode se interessar."
"A revista norte-americana 'Sports Illustrated', conhecida não só pela informação como também pelos ensaios sensuais de atletas, fez ensaios de biquini com quatro gatas que estão bem cobertas em Vancouver"

clique na imagem para "ler" melhor a notícia da página do yahoo!



e do terra

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

alienação olimpíadas de inverno .2


acho que se acontecesse um campeonato mundial de bolinhas de gude, seria possível conseguir audiência e produzir apaixonados pelo esporte em questão de alguns dias. bastaria a construção de um estádio específico para a prática da bola de gude, e que pudesse acomodar umas 40 mil pessoas. todas as cadeiras seriam ocupadas com a venda de ingressos custando entre 100 e 250 dólares. mas isso não importa. importa que fosse possível instalar umas 20 câmeras e alguns microfones em pontos diversos do estádio, para captar os melhores ângulos e sons. além disso, repórteres esportivos deveriam estar atentos, para entrevistar os técnicos e os jogadores durante o intervalo e o final do jogo.
se apartir do campeonato mundial de bolinhas de gude começassem a existir programas para discutir os melhores lances, receber e-mail dos fãs e debater com os jogadores, o jogo de bolinhas de gude estaria a um passo de ganhar definitivamente os corações e os cérebros dos telespectadores. o jogo de bolinhas de gude seria totalmente legítimo e sério quando a mídia esportiva começasse a destacar os melhores jogadores, os gênios da bola de gude. na categoria feminina, destacaria as musas da bola de gude! então os jogadores mais destacados, entre homens e mulheres, seriam exemplo para meninos e meninas do mundo todo. teriam contrato com a nike e a adidas, e a caixa de bolas de gude da nike e da adidas custariam entre 150 e 200 reais, para serem compradas pelos filhos dos burgueses no shopping, enquanto os pobres comprariam no camelô, versões falsetas, de plástico. mas comprariam. as melhores jogadoras de bola de gude do mundo posariam em "ensaios sensuais". talvez com as bolinhas...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

alienação olimpíadas de inverno


mal posso acreditar nas posibilidades infinitas que a t.v. a cabo possibilita às famílias honestas hoje em dia. olimpíadas de inverno 2010, vancouver. fico esperando, ingenuamente e em vão, que alguém se manifeste, que alguém enfim expresse em palavras ou gestos, alguma sensação de desconforto ao perceber que tem passado horas diante da t.v., assistindo brincadeiras na neve transmitidas ao vivo, diretamente de um país distante. mas não; permanece a distração, o hábito de matar o tempo, a conexão ao veículo da propaganda/imagem espetacular. "sábado à tarde não tem nada melhor passando..." a vida resume-se a assistir o programa considerado menos pior. a liberdade de escolha está em escolher apenas dentre aquilo que é calculadamente oferecido. se alguém tomasse a atitude revolucionária de levantar-se do sofá, e ainda radicalizasse o movimento abrindo a porta para a rua, seguramente iria ao shopping, onde encontraria ar condicionado, segurança e gente bonita.
mas isso não é um manifesto, nem um panfleto, nem a apologia de coisa alguma. trata-se de um amontoado de equívocos, engano e desrespeito pelo gosto alheio. conceitos mal-empregados misturados a idéias pré-concebidas. apenas passando o tempo em uma noite sem mais o que fazer...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

apocalypse now


antes mesmo de ser chamado à sua missão confidencial, martin sheen tinha problemas na solidão de seu quarto em saigon. o tempo de espera para o que poderia acontecer tornava a realidade irreal e intolerável. o problema está sempre no tempo de espera e na incerteza do que se seguirá, que levam à imobillidade paradoxalmente unida à ansiedade. a espera redefine a dimensão das angústias, e as coloca em outro nível. uma situação específica - vietnã, guerra, saudades de casa, estranhamento do lugar estranho - sob a pressão da espera, passa a ser interpretada a partir de uma perspectiva existencial profunda; leva ao início do questionamento profundo de valores, que, no momento em que sheen encontra marlon brando, chega a seu ponto mais elevado e mais perigoso.
ao receber a missão, novamente martin sheen encontra um propósito, um novo desafio. enquanto o barco sobe, ou desce - não me lembro - o rio, lê a documentação sobre os métodos irracionais de marlon brando. sua mente tenta decifrar o mistério sobre o homem misterioso que o aguarda. sua leitura é intermediada pelas situações absurdas que encontra em plena guerra, em pleno vietnã a caminho do camboja, antes de chegar ao destino final, ao absurdo completo. tem, portanto, um propósito, um novo sentido, ao mesmo tempo em que tem, talvez, a consciência da miséria de sua situação: colocado por motivos alheios no meio de um nada distante, distante em todos os sentidos. de qualquer modo, está de volta à selva. assim como os franceses, não voltará ao lar; está decidido, ou prevê a possibilidade da morte. mas a francesa talvez entenda mal essa posição e diz que martin sheen não quer voltar porque lá, na selva, no vietnã, é que é agora seu lar, como é o dela e dos demais franceses. os franceses pensam que construiram algo onde não havia nada, e por isso agora aquele nada tornou-se algo que lhes pertence - a casa, a guarda, todo o antigo resquício de presença colonial.
construir algo no nada, entre pessoas que não são ninguém. para marlon brando não foi possível evitar a tentação de ser deus. o ocidental, que lê poesia em voz alta e eloquente, venerado como deus entre os nativos.

"This is the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I'll never look into your eyes...again
Can you picture what will be
So limitless and free
Desperately in need...of some...stranger's hand
In a...desperate land ?

Lost in a Roman...wilderness of pain
And all the children are insane
All the children are insane
Waiting for the summer rain, yeah
There's danger on the edge of town
Ride the King's highway, baby
Weird scenes inside the gold mine
Ride the highway west, baby
Ride the snake, ride the snake
To the lake, the ancient lake, baby
The snake is long, seven miles
Ride the snake...he's old, and his skin is cold
The west is the best
The west is the best
Get here, and we'll do the rest
The blue bus is callin' us
The blue bus is callin' us
Driver, where you taken' us ?

The killer awoke before dawn, he put his boots on
He took a face from the ancient gallery
And he walked on down the hall
He went into the room where his sister lived, and...then he
Paid a visit to his brother, and then he
He walked on down the hall, and
And he came to a door...and he looked inside
"Father ?", "yes son", "I want to kill you"
"Mother...I want to...fuck you"

C'mon baby, take a chance with us X3
And meet me at the back of the blue bus
Doin' a blue rock, On a blue bus
Doin' a blue rock, C'mon, yeah
Kill, kill, kill, kill, kill, kill

This is the end, Beautiful friend
This is the end, My only friend, the end
It hurts to set you free
But you'll never follow me
The end of laughter and soft lies
The end of nights we tried to die
This is the end" - the doors

domingo, 14 de fevereiro de 2010

do the evolution


Woo...
"I'm ahead, I'm a man
I'm the first mammal to wear pants, yeah
I'm at peace with my lust
I can kill 'cause in God I trust, yeah
It's evolution, baby
I'm at peace, I'm the man
Buying stocks on the day of the crash
On the loose, I'm a truck
All the rolling hills, I'll flatten 'em out, yeah
It's herd behavior, uh huh
It's evolution, baby
Admire me, admire my home
Admire my son, he's my clone
Yeah, yeah, yeah, yeah
This land is mine, this land is free
I'll do what I want but irresponsibly
It's evolution, baby
I'm a thief, I'm a liar
There's my church, I sing in the choir
(hallelujah, hallelujah)
Admire me, admire my home
Admire my son, admire my clothes
'Cause we know, appetite for a nightly feast
Those ignorant Indians got nothin' on me
Nothin', why?
Because... it's evolution, baby!
I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans, yeah
I crawled the earth, but now I'm higher
2010, watch it go to fire
It's evolution, baby
It's evolution, baby
Do the evolution
Come on, come on, come on" - pearl jam

"a história de todas as sociedades que já existiram é a história da luta de classes." - marx e engels


"What shall we do to fill the empty spaces?
Where waves of hunger roar
Shall we set out across the sea of faces?
In search of more and more applause
Shall we buy a new guitar?
Shall we drive a more powerful car?
Shall we work straight through the night?
Shall we get into fights?
Leave the lights on
Drop bombs
Do tours of the east
Contract diseases
Bury bones
Break up homes
Send flowers by phone
Take to drink
Go to shrinks
Give up meat
Rarely sleep
Keep people as pets
Train dogs
Race rats
Fill the attic with cash
Bury treasure
Store up leisure
But never relax at all
With our backs to the wall" - pink floyd

domingo, 7 de fevereiro de 2010

conflito

um mendigo dormindo em um banco de praia em santos. classifico como mendigo um certo tipo sempre sujo e bêbado que dorme na rua em pleno dia. será que ele se entende como mendigo? talvez para ele isso não seja uma questão. quero dizer, isso de classificar os tipos e a si mesmo. as coisas vão se encaixando: "a gente vê na cara quem é bandido", "esse aí só pelo jeito é vagabundo". para um pai de família de classe média, meia idade, bem sucedido profissionalmente, classificar é uma questão. mais que isso, é um instinto que preserva sua segurança e seu bom gosto. o que me autoriza a ver alguém na rua e classificar como mendigo/bandido/vagabundo? são as marcas que ele trás na cara e no jeito. por essas marcas sei se estou passando perto 1- do mendigo/bandido/vagabundo, 2-do trabalhador, simples, honesto, humilde, pobre mas inofensivo, 3- ou do meu igual. a classe média gosta do trabalhador que luta pelo pão de cada dia. ele é um exemplo de superação, exemplo de que a pobreza não justifica o crime. ele é um tipo contra o qual o homem de classe média bem sucedido pode exercer sua superioridade tratando-o como aquele cuja obrigação é servi-lo bem, "se quiser subir na vida". já o mendigo/bandido/vagabundo é uma ameaça completa, contra o qual é preciso recorrer à polícia. o mendigo/bandido/vagabundo não ocupa nenhuma posição em que necessite servir para garantir algum privilégio: da postura humilde de quem pede esmola, passa rápido à violência do roubo.
um mendigo dormindo em um banco de praia em santos. chega o policial de bicicleta, apoia o pé na ponta do banco e acorda o mendigo, "você comprou o banco?" o mendigo deixa de deitar-se e fica sentado.

(diálogo sobre o fato)
- o policial não precisava fazer isso...
- humm...o problema é que se deixar, não sobra nenhum banco.