segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

apocalypse now


antes mesmo de ser chamado à sua missão confidencial, martin sheen tinha problemas na solidão de seu quarto em saigon. o tempo de espera para o que poderia acontecer tornava a realidade irreal e intolerável. o problema está sempre no tempo de espera e na incerteza do que se seguirá, que levam à imobillidade paradoxalmente unida à ansiedade. a espera redefine a dimensão das angústias, e as coloca em outro nível. uma situação específica - vietnã, guerra, saudades de casa, estranhamento do lugar estranho - sob a pressão da espera, passa a ser interpretada a partir de uma perspectiva existencial profunda; leva ao início do questionamento profundo de valores, que, no momento em que sheen encontra marlon brando, chega a seu ponto mais elevado e mais perigoso.
ao receber a missão, novamente martin sheen encontra um propósito, um novo desafio. enquanto o barco sobe, ou desce - não me lembro - o rio, lê a documentação sobre os métodos irracionais de marlon brando. sua mente tenta decifrar o mistério sobre o homem misterioso que o aguarda. sua leitura é intermediada pelas situações absurdas que encontra em plena guerra, em pleno vietnã a caminho do camboja, antes de chegar ao destino final, ao absurdo completo. tem, portanto, um propósito, um novo sentido, ao mesmo tempo em que tem, talvez, a consciência da miséria de sua situação: colocado por motivos alheios no meio de um nada distante, distante em todos os sentidos. de qualquer modo, está de volta à selva. assim como os franceses, não voltará ao lar; está decidido, ou prevê a possibilidade da morte. mas a francesa talvez entenda mal essa posição e diz que martin sheen não quer voltar porque lá, na selva, no vietnã, é que é agora seu lar, como é o dela e dos demais franceses. os franceses pensam que construiram algo onde não havia nada, e por isso agora aquele nada tornou-se algo que lhes pertence - a casa, a guarda, todo o antigo resquício de presença colonial.
construir algo no nada, entre pessoas que não são ninguém. para marlon brando não foi possível evitar a tentação de ser deus. o ocidental, que lê poesia em voz alta e eloquente, venerado como deus entre os nativos.

"This is the end
Beautiful friend
This is the end
My only friend, the end
Of our elaborate plans, the end
Of everything that stands, the end
No safety or surprise, the end
I'll never look into your eyes...again
Can you picture what will be
So limitless and free
Desperately in need...of some...stranger's hand
In a...desperate land ?

Lost in a Roman...wilderness of pain
And all the children are insane
All the children are insane
Waiting for the summer rain, yeah
There's danger on the edge of town
Ride the King's highway, baby
Weird scenes inside the gold mine
Ride the highway west, baby
Ride the snake, ride the snake
To the lake, the ancient lake, baby
The snake is long, seven miles
Ride the snake...he's old, and his skin is cold
The west is the best
The west is the best
Get here, and we'll do the rest
The blue bus is callin' us
The blue bus is callin' us
Driver, where you taken' us ?

The killer awoke before dawn, he put his boots on
He took a face from the ancient gallery
And he walked on down the hall
He went into the room where his sister lived, and...then he
Paid a visit to his brother, and then he
He walked on down the hall, and
And he came to a door...and he looked inside
"Father ?", "yes son", "I want to kill you"
"Mother...I want to...fuck you"

C'mon baby, take a chance with us X3
And meet me at the back of the blue bus
Doin' a blue rock, On a blue bus
Doin' a blue rock, C'mon, yeah
Kill, kill, kill, kill, kill, kill

This is the end, Beautiful friend
This is the end, My only friend, the end
It hurts to set you free
But you'll never follow me
The end of laughter and soft lies
The end of nights we tried to die
This is the end" - the doors

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