quarta-feira, 24 de março de 2010

despropósito


viver isolado em meio à multidão é como receber convites diários ao suicídio. a cada dia que começa, a cada dia que passa, é preciso recusar o convite. à certa altura, recusar sem ter argumentos. a partir do momento em que me questiono "por quê estou fazendo isso?" e quando um "porque todo mundo faz", inconsciente, deixa de ser resposta possível, então está iniciado um caminho sem volta. a partir do momento em que o sentido das coisas mais banais só pode ser entendido como um absurdo completo, a falta de propósito cria raízes profundas na própria forma de vivenciar o mundo, vivenciar as experiências cotidianas mais comuns. então, a vontade de compreensão do mundo converte-se na mudez cerebral da alienação voluntária; e as imagens repetidas rápidas do mesmo trajeto do mesmo ônibus passam diante dos olhos sem a necessidade de interpretação, sem a possibilidade de interpretação do mundo urbano homogeneizado/homogeneizante. as imagens rápidas e repetidas do mesmo trajeto do mesmo ônibus são apresentadas como as imagens dos seriados americanos. quero estar em casa em frente à t.v. na hora certa do meu seriado americano favorito, avaliando os melhores personagens, vendo genialidade na bobagem enlatada repetida.

Um comentário:

  1. suicídio, auto-lobotomia, emprego-família-filhos-jornal-nacional... hmmmm... será que é possível escolher?

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