domingo, 7 de março de 2010

relações pessoais de mercado: distorções e vulgarizações

as relações humanas hoje em dia se parecem com as relações de mercado. isso quer dizer que as pessoas são produzidas como são produzidas as mercadorias.
quando um casal gera um filho, suas possibilidades de consumo e seus valores são investidos neste filho.
as relações entre as pessoas são possíveis a partir do momento em que se estabelecem pontos de afinidade entre elas. no mundo capitalista-urbano-industrial-ocidental-burguês-democrático-etc, os pontos de afinidade entre pessoas surgem da coincidência entre as mercadorias por elas consumidas, uma vez que valores, visão de mundo, forma de portar-se no mundo, são intermediados pelas mercadorias; circulam junto com as mercadorias, no ritmo em que a estrutura urbana permite, com a intensidade com que a indústria cultural é capaz de definir.
então, os pais de família honestos investem em seus filhos através do que socialmente podem comprar-lhes e dizer-lhes. desse investimento cria-se no filho um certo valor (valor de troca, não o valor mencionado a cima, que é moral). esse valor se expressa na aparência, no vocabulário, nos gestos, no repertório de referenciais gerais. esse valor permite que o filho seja consumido por pessoas ou grupos formados a partir de investimentos semelhantes.

Um comentário:

  1. Bom. Seu post me fez pensar um pouco e escreverei aqui os resultados dos meus pensamentos, que talvez seja uma repetição ou até mesmo uma distorção do seu em alguns momentos. Em alguns, talvez seja complementar. E talvez até mesmo crítico. Mas não sei aonde chegarei nessa divagação insana:

    Os filhos são um resultado do investimento dos pais. Investimento em vários sentidos, Pegando o lado financeiro, tem várias coisas de importância, pois, o que o dinheiro compra são, no fundo, valores. Os brinquedos, os cursos, os livros, roupas, tudo. Coisas que ficam pra tras, e o que resto é o individuo moldado. Mas não é só no aspecto financeiro que isso se dá. Também tem a produção intelectual. Ou seja, os valores que os pais incutem nos filhos através da sua relação, das conversas, das idéias passadas (seja por falas ou por comportamentos). Então, temos o filho como resultado desse investimento, as vezes em coisas materiais, as vezes em coisas intelectuais.

    As possibilidades de consumo e valores estabelecido no filho determinaram sua potencialidade de relacionamentos. Ele se relacionará com aquelas pessoas que possuir afinidades. O que quer dizer que, ele se relacionará com aquelas que tem alguma coincidência nas produções materiais e intelectuais produzidas pela sociedade em que vivem. Podemos dizer, então, que são as mercadorias que intermediam os relacionamentos. Seu consumo o afeta em potencialidade.

    As estruturas urbanas da sociedade colocam um ponto importante nisso. Pois definem os meios de locomoção, os meios de comunicação, os espaços sociais,... em que esses relacionamentos são possíveis, além de determinar a velocidade em que as interações ocorrem.

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