sexta-feira, 16 de abril de 2010

mediocridade miséria

1- a cada novo acontecimento de sua vidinha sem sentido, o jovem digitalmente incluído vai ao orkut, ao facebook, ao twitter, ao seu novo blog, e publica suas atualizações. fim de namoro, começo de namoro, morte na família, brinquedo novo, qualquer coisa; tudo diz respeito a todos. assim que alguma bobagem sobressai em meio à monotonia miserável da regra, impõe-se a necessidade de trocar dados, apagar depoimentos, excluir ou incluir amigos, excluir ou incluir fotos, vídeos, buddy poke, colheita feliz...
2- sempre que o homem médio começa a falar sobre seu sonho de ganhar na mega-sena, começa uma confissão de mediocridade. no dia-a-dia, em sua escravidão cotidiana, tudo vai sempre bem. na escravidão cotidiana ele diz a si mesmo e aos outros, que gosta do que faz no trabalho, que ama sua família, sua cidade, seu bom e velho carro popular, sua modesta e confortável casa. tudo muda assim que se imagina milhonário. largaria todos estes afetos modestos para morar na europa, etc.
apesar da insatisfação constante e generalizada, negar-se a continuar está fora de questão. o homem médio e seus descendentes permanecem acorrentados ao "imutável", "às coisas como fatalmente são", até que uma montanha redentora de dinheiro venha do céu trazer-lhes felicidade.

Um comentário:

  1. 1 - http://www.malvados.com.br/tirinha943.gif

    2 - ...e se o dinheiro não vem para os de hoje quem sabe os de amanhã terão mais sorte, fé em deus e pé na tábua; entre mudanças drásticas e afetos modestos falseados, melhor trabalhar mais e pensar menos; contar com a Providência, vida medíocre, existência miserável.

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