segunda-feira, 5 de abril de 2010

megan fox holocausto .2 ou a sociedade do espetáculo

logo pela manhã as notícias do jornal de nome "bom dia brasil", vão aos poucos informando e entretendo. sempre aos poucos, nada de choques excessivos, nada de sequências excessivamente depressivas. queda de barracos na chuva, nascimento de pandas em cativeiro, terroristas, receita de bolo, fogo no orfanato, cultivo de orquídeas, fatos de brasília, gols da rodada. mau, bom, mau, bom...as imagens vão compondo contrastes absurdos, acompanhados pela mudança da expressão facial do apresentador: feliz, triste, feliz, triste...
as imagens em contraste acumulando-se agressivamente na mente, compondo sentidos absurdos. desligo a televisão antes que comece o programa da ana maria braga; antes que me sinta forçado pelo programa de nome "mais você", a vomitar minhas vísceras pelo chão. depois disso, maquinalmente, devo ver meus e-mails. abro a internet na página inicial de notícias do "terra". eis que no mesmo espaço há notícias sobre o big brother, todas as a famosas que foram à praia (portanto de bikini) e todas as notícias mais sangrentas - o problema não é a exposição do sangue; o problema é a exposição do sangue pelo sangue, sem relação com sua causa social: o modo de produção capitalista. na internet a montagem do mundo em imagens desconexas não aparece apenas sucessivamente, como na t.v.; na internet as imagens são apresentadas simultaneamente, e junto com texto (escrito), e junto com links para vídeo, etc.
em um momento vejo fotos da megan fox, no outro, na mesma página, a homenagem de facebook a um menino morto no holocausto! uma enxurrada de construções de imagens, de representações e mentiras sobre o mundo; as coisas e os valores deslocados no tempo e no sentido, tudo ao mesmo tempo, tudo como uma mesma coisa. hoje em dia a megan fox de biquini e o judeu morto em 1945 têm o mesmo fim: chamar a atenção do consumidor para os intermináveis anúncios de todas as mercadorias nas bordas das páginas da internet.

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