terça-feira, 18 de maio de 2010

chuck e larry

quando um filme feito para o grande público tem intenção de divertir ao mesmo tempo em que quer dizer algo contra preconceito aos homossexuais, ele não consegue, entretanto, deixar de reproduzir elementos deste mesmo preconceito.
é repetida a ideia de aceitar as diferenças, de aceitar as pessoas como elas são. no entanto o filme reforça que o que difere o homossexual do heterossexual, é seu comportamento ridículo e exagerado. a depravação sexual aparece como atributo do homossexual, como se fosse inerente à sua natureza, como se o homossexual não pudesse evitar, em todas as situações de sua vida, de assediar sexualmente quaisquer pessoas do mesmo sexo que o dele.
a aceitação da diferença aparece então como "aceitemos o ridículo. apesar disso, ele é um ser humano".
a reprodução velada do preconceito não é exclusiva do cinema, evidentemente. a ideologia hipócrita da sociedade capitalista moderna difunde o preceito do respeito à diferença, como o respeito a algo que se pode tolerar desde que a diferença esteja restrita ao "mero" comportamento sexual; desde que no campo da economia política o homossexual acate os valores hegemônicos (casamento, etc), seu comportamento privado não diz respeito à sociedade.
cada vez mais, desde que se seja profissionalmente bem qualificado, empreendedor, capaz de respeitar autoridade/hierarquia, todo o resto é mais ou menos hipocritamente tolerado.

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