domingo, 27 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

homem médio

o homem de meia idade, classe média, pretensões médias, chegou ao topo do sucesso profissional - o único que tem, o único que consegue ver como sucesso. a essa altura seu salário permite trocar de carro a cada dois anos; em conversas informais esta possibilidade é narrada com seriedade e modéstia, como algo essencial mas reservado aos poucos capazes de planejamento, poupança, visão a longo prazo: estabilidade. o homem-médio vota no psdb a cada dois anos e se envergonha do operário que por hora ocupa a presidência: não importa que o pt governe para a classe média, o homem médio quer ser representado por alguém que fale francês, por alguém com formação. o homem médio, no auge de seu sucesso, pode comprar t.v. lcd, um computador mais atualizado; pode fazer planos para a compra de um blue ray player - porque logo o preço vai baixar, logo dvd não vai mais existir. alta definição, digital qualquer coisa, muito mais megapixels.
entretanto, o homem médio não vê filmes - como, evidentemente, não lê mais que notícias de jornal. sua t.v. lcd com blue ray serve para alguns minutos de qualquer filme começado, e que não será visto até o fim; jornal nacional, futebol de domingo. computador novo, para não mais que verificar e-mails de trabalho.
apenas o encantamento da técnica, o desejo de possuir algo que oferece possibilidades aparentemente incríveis. o homem cuja vida foi gasta na aprendizagem de procedimentos técnicos de trabalho, esgota na distração as vantagens que seu poder de consumo lhe oferece.

terça-feira, 22 de junho de 2010

campinas: tolerância zero


"O Tolerância Zero protege quem vive em situação de vulnerabilidade, e através da operação Bom Dia Morador de Rua, acolhe pessoas que vivem nas ruas, consumidores de álcool e drogas, com atendimento e encaminhamento especializados, resgatando a autoestima do cidadão de bem identificando os infratores."

"Art. 1 - Fica proibida a mendicidade nesta cidade e município, salvo nas condições seguintes:
1.- Todo o indivíduo que ficar impossibilitado de ganhar a subsistência pelo exercício de qualquer trabalho lícito, se dirigirá ao presidente da câmara municipal a quem justificará a verdade do seu estado e, por ordem deste receberá na secretaria da Câmara uma guia para o fiscal de sua paróquia, à vista da qual o fiscal registrará o seu nome e domicílio, e lhe fornecerá uma chapa de metal branco com o número do registro do portador, que a trará em lugar bem visível na ocasião de esmolar, só nas quartas-feiras e sábados. Estas chapas são intransferíveis. O que infringir a postura, cedendo ou ocupando chapa de outrem será punido com oito dias de prisão e o duplo na reincidência, e por qualquer outra infração dois dias de prisão." - lei promulgada em 1889 pela assembléia legislativa provincial de são paulo, a partir da proposta da câmara municipal de campinas. apud. josé roberto do amaral lapa, a cidade, os cantos e os antros.

veja também: http://miseriahq.blogspot.com/2010/03/bom-dia-morador-de-rua.html

sexta-feira, 11 de junho de 2010

humanidades .2

o bom estudante das humanidades compreedeu bem a historicidade dos valores do homem moderno. ele compreendeu bem, em algumas de suas leituras, que a angústia provocada pela alienação de si mesmo decorre das condições colocadas pelas relações de exploração capitalistas. entretanto, assim que fecha seu livro, se esquece da razão do desgosto e da falta de propósito que experimenta ao ser forçado a acordar cedo todas as manhãs, estudar para a prova, etc. este bom estudante, um tipo inteligente e melancólico, confunde a ausência de sentido a que está submetido pela imposição de ter que se tornar um profissional competitivo e qualificado para o mercado de trabalho, com a ausência de sentido da existência (humana) (em si). neste ponto, contradizendo aquilo que estuda para passar o tempo, o bom estudante das humanidades retorna à visão ideológica que coloca sua dor fora da história, como condição inalterável, eterna. então, a desistência e aceitação tácita do capitalismo como fim da história, é acompanhada, no tipo melancólico e inteligente, da produção de uma estética do fracasso, cuja imagem principal é a contemplação da própria impotência, que além do mais, passa a ser sentida como distinção tanto em relação ao ignorante que ri a toa em meio à desgraça, como do ingênuo que luta contra forças contra as quais é inútil lutar.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

miley cyrus

"Miley Cyrus mostrou que está crescendo. A atriz e cantora de 17 anos fez uma performance mais do que sexy em um show na boate Heaven, [...]"

"Durante a performance ela voltou a simular um beijo lésbico, que tinha causado polêmica sobre a sexualidade da cantora [...] já que todos pensaram que foi de verdade."


"A ex-protagonista da série Hannah Montana, Miley Cyrus, mostrou hoje seu lado mais selvagem e provocativo no terceiro dia do festival Rock in Rio Madri 2010."

"Miley deixou sua imagem infantil de lado e mostrou seu lado mais roqueiro e sugestivo para deixar claro que, aos 17 anos, já não é mais uma criança."

sábado, 5 de junho de 2010

sonhos roubados


certos filmes sobre favela são feitos como são feitos os documentários sobre vida selvagem. nesse caso o cineasta parce colocar-se a missão de apenas mostrar a realidade dura da vida do favelado, as coisas como são de fato; como se fosse dispensável dizer qualquer coisa; como se não houvesse nada a dizer. cria-se a narrativa mais simples, apenas com o cuidado de não entediar o espectador. a savana, a zebra, o leão... as câmeras e a música produzem a tensão que prepara para o previsível. o máximo que se provoca no espectador é a torcida para que a zebra escape, o que dificilmemte acontece. a compaixão pela morte da zebra vai apenas até o ponto em que se percebe que, afinal, há muitas zebras na savana; a raiva contra o leão vai até o momento em que se aceita a legitimidade do exercício de sua força como questão de sobrevivência.
sonhos roubados parte do pressuposto da passividade do favelado, cujas ações, diante de sua realidade dura, não passam de atitudes defensivas irracionais; cujos sonhos (roubados) são versões distorcidas e de mal gosto dos sonhos da classe média civilizada.
a participação de mv bill revela o projeto ideológico por trás de um filme como esse. mv bill venceu isoladamente a realidade dura da favela, para cantar rap na mtv, na globo, e para fazer propaganda da nextel. (a nextel tem uma série de propagandas protagonizadas por personagens cuja marca é o empreendedorismo capaz de transformar o próprio destino e a realidade em geral). mv bill é a excessão que agrada o indivíduo progressista da classe média, como exemplo de que o pobre não precisa ser pobre, nem bandido, se não quiser ser.

sexta-feira, 4 de junho de 2010