domingo, 28 de novembro de 2010

humanidades .3

hoje em dia só tem valor o que pode servir para produzir lucro. só tem valor o que pode servir para produzir o lucro alheio; tem reconhecimento o sujeito que estuda para servir a uma empresa qualquer, um sujeito cuja formação lhe garanta um emprego com bom salário e motivação para contribuir com os ganhos da empresa que o paga bem.
a universidade forma o profissional qualificado para o mercado de trabalho, e este é o sonho de todo cidadão honesto.
esta função social da universidade coloca o estudante de ciências humanas no papel do bom leitor de textos, incompreendido e inútil.
a universidade irreversivelmente atrelada ao poder do capital privado, aniquila a legitimidade e a importância do estudo das idéias.
o estudante de ciências humanas, ideologicamente convencido da inutilidade de sua função, desiste. depois de desistir ele irá procurar um emprego decente que agrade seus pais.
mas também há os melhores militantes anticapitalistas. eles também descobriram a inutilidade do estudo das ideias, dos conceitos, de todo esse trabalho lento de biblioteca e de compreensão teórica falida.
os melhores militantes anticapitalistas entenderam que as transformações dependem de ações; descobriram que o estudo acadêmico de textos é perda de tempo elitista.
involuntariamente, os melhores militantes anticapitalistas apoiam a opinião dos melhores militantes capitalistas sobre a inutilidade das ciências humanas.

3 comentários:

  1. É uma triste realidade, infelizmente. No mundo de hoje o que vale é o quanto vc ganha com aquilo que faz, e não o quanto vc realmente ajuda com sua função social.
    Entretanto, discordo um pouco de você. Sou extremamente idealista e não consigo conceber a ideia de que futuros sociólogos desistam de o ser sem antes começar a lutar pelos ideais que sempre acreditou. Acho que a mudança do mundo começa em nós, e do que nós fazemos para mudar o próximo.
    ótimo post, parabéns!!

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  2. As teorias estão em muitos lugares. Na vida, nas ações das pessoas, não só nos livros. O problema é a supervalorização do conhecimento que vem de um monte de papel com letras impressas. Uma supervalorização que cria hierarquia - não só de grana, mas de status - entre os que leêm(é assim que escreve?) e os que não leêm.
    Que essa ciência humana institucionalizada, criadora de hierarquias, seja cada vez mais desprezada. Amém.

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  3. Tristeza nos olhos de Janete
    Com seu uniforme azul de faxineira
    Guardava, além da tristeza, a revolta nos olhos
    com muita razão
    Passa o dia inteiro lavando o chão
    Com o esfregão
    A vassoura, o rodo, o pano
    e o esfregão

    Tristeza nos olhos de Paulinho
    com sua camisa vermelha de foice e martelo
    Guardava, além da tristeza, a revolta nos olhos
    com muita razão
    Lendo inpumeros livros da revolução
    com o bundão
    na cadeira da biblioteca
    com o bundão

    (do cancioneiro de Mané Magalhães)

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