sábado, 29 de janeiro de 2011

experiência e pobreza

o filho da classe média estudante de ciências humanas sai do supermercado com suas pequenas compras de fim de semana. do lado de fora do supermercado, um homem, uma mulher, uma criança, um cachorro, todos sujos, todos tristes: "dá uma moeda... 10 centavos já ajuda ..."
o filho da classe média estudante de ciências humanas, por saber que um gesto solidário não mudará em nada a estrutura de reprodução da acumulação capitalista, mantém em seu bolso os 10 centavos. o estudante de ciências humanas filho da classe média sente culpa, consciência pesada, indignação, frustração e impotência diante da crueldade do mundo. toda essa agonia dura longos 15 minutos, até chegar em casa e abrir o portão, abrir uma cerveja, abrir o facebook, abrir um bom livro...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

casamento .2

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"Cientistas descobriram que os casados vivem até 15% a mais do que os solteirões"

matéria do yahoo!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

casamento

"A monogamia não aparece na história, portanto, absolutamente, como uma reconciliação entre o homem e a mulher e, menos ainda como a forma mais elevada de matrimônio. Pelo contrário, ela surge sob a forma de escravidão de um sexo pelo outro, como a proclamação de um conflito entre sexos, ignorado, até então, na pré-história. [...] Hoje posso acrescentra: o primeiro antagonismo de classes que apareceu na história coincide com o antagonismo entre o homem e a mulher na monogamia; e a primeira opressão de classes, com a opressão do sexo feminino pelo masculino." - friedrich engels
[pintura de jonh lamb, 1879]

sábado, 22 de janeiro de 2011

todo mundo explica



"Não me pergunte por que
Quem-Como-Onde-Qual-Quando-O Que?
Deus, Buda, O tudo, O nada, O ocaso, O cosmo
Como o cosmonauta busca o nado, o nada
Seja lá o que for, já é
Não me obrigue a comer
O seu escreveu não leu
Papai mordeu a cabeça
Do Dr. Sugismundo
Porque sem querer cantou de galo
Cada cabeça é um mundo Gismundo
Antes de ler o livro que o guru lhe deu
Você tem que escrever o seu
Chega um ponto que eu sinto que eu pressinto
Lá dentro, não do corpo, mas lá dentro-fora
No coração e no sol, no meu peito eu sinto
Na estrela, na testa, eu farejo em todo o universo
Que eu to vivo
Que eu to vivo
Que eu to vivo, vivo, vivo como uma rocha
E eu não pergunto
Porque já sei que a vida não é uma resposta
E se eu aconteço aqui se deve ao fato de eu
simplesmente ser
Se deve ao fato de eu simplesmente
Mas todo mundo explica
Explica, Freud, o padre explica, Krishnamurti tá
vendendo
A explicação na livraria, que lhe faz a prestação
Que tem Platão que explica, que explica tudo tão bem vai lá que
Todo mundo explica
protestante, o auto-falante, o zen-budismo,
Brahma, Skol
Capitalismo oculta um cofre de fá, fé, fi, finalismo
Hare Krishna, e dando a dica enquanto aquele
papagaio
Curupaca e implica
Com o carimbo positivo da ciência que aprova
e classifica
O que é que a ciência tem?
Tem lápis de calcular
Que é mais que a ciência tem?
Borracha pra depois apagar
Você já foi ao espelho, não?
nego?
Então vá!" - raul seixas

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Schwarzenegger

clique na imagem para ler a notícia como se deve
"O ator e ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger contou que, durante a adolescência, sua mãe acreditava que ele gostava de homens"
""A minha mãe ficava preocupada. Uma vez ela pediu ao nosso médico de família que falasse comigo para saber o que estava acontecendo""
""Ela achava de verdade que eu era homossexual. Não é nada grave, mas para ela era algo inimaginável""
""Olhe para ele senhora Schwarzenegger: como esportista seu filho pelo menos não gosta de bebida e de tabaco", disse o médico à mãe sobre sua paixão pelo fisiculturismo [...]"

notícia do yahoo!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

itaú - questões


o dinheiro é uma relação social de produção sob a forma de objeto. na sociedade capitalista, o único meio de evitar ser inconscientemente usado pelo dinheiro é ser conscientemente usado pelo dinheiro. o único modo de usar o dinheiro com consciência é usar o dinheiro sabendo que a aquisição de cada mercadoria é, infelizmente, uma ação necessária para que a exploração capitalista feche seu ciclo.
a busca por uma vida em que se possa evitar o "consumismo sem limites", e a busca pela tecnologia "simples e humana", são os recursos ideológicos contra a inevitável consciência pesada dos melhores homens de negócios.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

lima barreto


existe uma dificuldade maior para o estudante das ciências humanas: resistir à tentação de dizer bobagens, mesmo sabendo que são bobagens. quando faltam argumentos, é comum ao estudante das ciências humanas apoiar-se em conceitos incompletos e obscuros, mas cheios de autoridade.
os autores sagrados da academia reunem um palavrório incompreensível para explicar o mundo. o encantamento do incompreensível provoca devoção, e da devoção, o estudante de ciências humanas, longe de ser walter benjamin, acredita, entretanto, poder imitá-lo; fala difícil sem nenhuma consistência.
lima barreto, com linguagem simples, com uma narrativa clara sobre o cotidiano popular carioca, dispensa walter benjamin, pierre bourdieu, guy debord e e.p. thompson, e ainda consegue ser divertido; e ainda consegue, em pleno 1914, ser totalmente crítico e consciente das bobagens da ideologia do darwinismo social e do racismo científico que o embasava.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

domingo, 2 de janeiro de 2011