terça-feira, 24 de janeiro de 2012






as pessoas bem informadas discutem detalhes intrincados sobre o funcionamento de esquemas específicos de corrupção, desvio de dinheiro público, etc. a mídia dominante repete eternamente escândalos políticos, até que eles se tornem espetacularmente normais.
"fora alckimin!" ;entre uma série americana e um jogo novo de video game, a opinião pública educada acredita que é necessário eliminar o indivíduo que (temporariamente) ocupa o poder, quando, na verdade, o MAL está na estrutura do poder do estado: acordos entre o aparelho repressivo do estado e gangsters particulares acontecerão eternamente, como desdobramentos decorrentes da lógica de acumulação do capital...
mais que isso, o MAL está nas convicções, nos valores e nas atitudes mais cotidianas da sociedade, que sustenta e legitima o poder do estado.
mais que isso, o estado existe para que o indivíduo-consumidor-cidadão seja deixado em paz, enquanto ajuda a movimentar a economia nacional, preenchendo com brinquedos maravilhosos o vazio de sua existência.
o estado existe, além do mais, para que o indivíduo-consumidor-cidadão possa responsabilizá-lo por eventuais atrocidades realizadas para a continuidade da existência do próprio indivíduo-consumidor-cidadão.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012








estupro sempre existiu. de acordo com friedrich engels, a primeira opressão de classe foi a opressão do sexo feminino pelo masculino.
na sociedade burguesa, ou seja, na sociedade em que todas as relações são regidas por contratos sociais definidos e arbitrados por um estado de direito - cuja igualdade jurídica que pressupõe se estende (tardiamente) também às mulheres - o estupro tem como origem uma relação de poder fundada na generalização da mercadoria.
a mulher cuja ambição é participar do bbb para depois ser capa da playboy confirma, reproduz e reforça, pela venda de sua imagem erotizada de acordo com o gosto do público consumidor masculino médio, o papel da mulher como objeto sexual (o que de maneira alguma significa que ela queira ou mereça ser estuprada).
a tradição que coloca a mulher no papel de objeto sexual reproduz a tradição masculina de dispor sexualmente das mulheres, do modo como dispõe de objetos: sem levar em conta a reciprocidade em relação a sua vontade (o que de maneira alguma dá ao homem o direito de estuprar, nem justifica seu ato)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

"As cantoras, ambas de 19 anos, são duas queridinhas da Disney e os agentes da revista acreditam que "seria um golpe enorme" ter um especial só delas."

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012



a construção da imagem de hitler por hollywood tornou o nazismo a expressão do mal puro na terra. consequentemente, as condições históricas a partir das quais ele surgiu foram apagadas, como se ninguém tivesse nada a ver com isso, além de uma geração inteira de psicopatas alemães.
deste modo, as donas de casa, os pais de família e os estudantes universitários, abominam os campos de concentração ao mesmo tempo em que enchem a boca para aprovar o antigo massacre ocorrido no carandiru, a pena de morte e, depois de duas cervejas, a eliminação sistemática de certos indesejáveis vagabundos, inúteis ao funcionamento de uma sociedade honesta.
texto no contexto: its

domingo, 1 de janeiro de 2012

os espartanos eram poucos, mas organizados de acordo com o princípio da razão.
as hordas bárbaras da ásia - sexualmente pervertidas, escravizadas pelo misticismo de um rei-deus - apesar de sua superioridade numérica, não puderam resistir ao chocarem-se com os valores virtuosos dos gregos: sobriedade e moderação.
o pai de família mais desavisado, entretido diante de 300, descobre como as coisas realmente foram naqueles tempos antigos.
em meio às cenas de ação e efeitos especiais, os valores ideológicos imbutidos na narrativa do filme passam da tv para o repertório de idéias sobre o mundo do pai de família assalariado com pretensões a um carro novo e casa própria. passivamente, durante o entretenimento, são confirmados os elementos que compõem as noções de certo e errado da classe média. (em 300 justifica-se a intervenção dos eua no iraque)