sexta-feira, 3 de maio de 2013

duplicações


sempre que eu esqueço quem eu sou, só o que eu preciso fazer é olhar meu perfil de facebook. aí logo eu me lembro do sentido que devem ter os livros, filmes e músicas que eu coloco como coisas que eu gosto. selecionar o que eu quero que os outros saibam de mim, é sempre um exercício de moldar para mim mesmo uma forma fixa do que sou. que tipos de gostos culturais e (gostos) políticos eu quero que sejam associados a mim, depende do que eu posto e do que eu curto.
posso também ver minhas fotos, as que eu postei e aquelas em que eu fui marcado. com isso vou me lembrar que no meio da monotonia há momentos felizes: eles estão registrados. vou me lembrar de como é minha expressão nos dias de festa.
as pessoas irão me encontrar na rua e, conhecendo minha atividade no facebook, ter a certeza de que me conhecem de fato. e cada vez mais elas terão razão em achar dessa forma, pois as coisas tendem a coincidência entre o ser-de-fato e o perfil do facebook.

Nenhum comentário:

Postar um comentário