segunda-feira, 24 de junho de 2013

relações de força


existe uma longa tradição de intolerância às greves e demais movimentos sociais quando estes suspendem temporariamente o direito de ir e vir. pelo fato de que são considerados vagabundos os grevistas, passeatas que fecham ruas e impedem os deslocamentos cotidianos são sentidas como violência pelas pessoas bem educadas que vivem seus regimes de escravidão voluntária. os impulsos fascistas do homem médio nessas situações devem-se à interrupção de sua rotina de, nos mesmos horários, poder sair da casa na qual vive relações familiares vazias e superficiais para chegar até o local onde executa um trabalho sem sentido e que não lhe diz respeito – para ao fim do dia retornar à casa.
 

quando bloquear ruas for considerado legítimo, quando meninos bem alimentados de bochechas rosadas saírem à rua junto das massas vestindo verde e amarelo, então as janelas quebradas e as paredes pichadas dos prédios do governo e das agências bancárias é que serão consideradas resultado de violência e coisa feita por vagabundo. no entanto, se o grau de incômodo aceitável causado pelos movimentos sociais deve ser proporcional ao tanto que a sociedade é capaz de entender o sofrimento dos manifestantes por conta dos problemas contra os quais protestam, uma sociedade esclarecida certamente terá que admitir e aplaudir quando todas as pessoas que não têm onde morar, ou o que comer colocarem fogo por toda cidade até terem atendidas todas as suas necessidades urgentes e inquestionáveis. inevitavelmente, um evento destes interromperia por um bom tempo o despropósito interminável no qual as pessoas se afundam ao longo de suas vidas.

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